Petro adverte Trump: atacar a soberania da Colômbia é declarar guerra
Em resposta às recentes declarações de Trump sobre possíveis ataques terrestres na Colômbia, Petro afirmou: «atacar a nossa soberania é declarar guerra, não prejudique dois séculos de relações diplomáticas».
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, advertiu nesta terça-feira o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que qualquer ação que viole a soberania do seu país será considerada uma declaração de «guerra», após as declarações do republicano sobre operações antinarcóticos em terra que poderiam afetar tanto a Venezuela como a Colômbia.
Em resposta às recentes afirmações de Trump, Petro usou a sua conta na rede social X para rejeitar as ameaças: «Atacar a nossa soberania é declarar guerra, não prejudique dois séculos de relações diplomáticas». Além disso, convidou o presidente norte-americano a acompanhá-lo na destruição de laboratórios de cocaína, destacando que a sua administração desmantelou 18.400 até agora.
«Sem mísseis, destruí 18.400 laboratórios durante o meu governo. Venha comigo e eu mostro-lhe como se destroem: um laboratório a cada 40 minutos, mas não ameace a nossa soberania, porque vai despertar a onça», escreveu.
Venga señor Trump a Colombia, lo invito, para que participe en la destrucción de los 9 laboratorios diarios que hacemos para que no llegue cocaína a EEUU.
— Gustavo Petro (@petrogustavo) December 2, 2025
Sin misiles he destruido en mi gobierno 18.400 laboratorios, venga conmigo y le enseño como se destruyen, un laboratorio… https://t.co/8WOKnclDK7
Trump, por sua vez, anunciou que intensificará as operações antidrogas, incluindo ações terrestres. «Vamos começar a realizá-las também em terra. Como sabem, em terra é muito mais fácil. E conhecemos as rotas que eles seguem. Sabemos tudo sobre eles, sabemos onde vivem os bandidos. E também vamos começar com isso muito em breve», afirmou à imprensa.
Ele adiantou que “qualquer um” que fabrique e venda drogas para os EUA poderá ser alvo de ataques, mesmo dentro da Colômbia e da Venezuela. “Ouvi dizer que a Colômbia, o país da Colômbia, está a fabricar cocaína… Qualquer um que esteja a fazer isso e a vendê-la ao nosso país está sujeito a ataques. Não necessariamente apenas a Venezuela”, disse o representante da Casa Branca.
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia emitiu um comunicado expressando “profunda preocupação” com as declarações de Trump e reafirmando seu compromisso com uma estratégia antidrogas baseada em evidências, direitos humanos, saúde pública e responsabilidade compartilhada. O governo colombiano rejeitou “categoricamente qualquer ameaça de agressão externa” que coloque em risco sua soberania, integridade territorial e dignidade nacional, e ressaltou sua adesão ao direito internacional e à paz.
Comunicado de Prensa sobre posición de Colombia ante las recientes afirmaciones del presidente de Estados Unidos. 👇https://t.co/w4Y1IoDZnI pic.twitter.com/CwTcUgSXLf
— Cancillería Colombia (@CancilleriaCol) December 3, 2025
A tensão ocorre num contexto em que os Estados Unidos mantêm, desde agosto de 2025, um destacamento militar frente à costa da Venezuela sob a operação “Lança do Sul”, supostamente para combater o narcotráfico. No entanto, organismos internacionais como a ONU e a DEA reconhecem que a Venezuela não é uma rota principal do tráfico de drogas para os EUA, já que mais de 80% das drogas entram pela rota do Pacífico.
Além disso, mais de 80 pessoas foram mortas em bombardeamentos a embarcações sem provas de ligação com o tráfico ilícito, ações classificadas por especialistas das Nações Unidas como «execuções extrajudiciais».
Paralelamente, Washington duplicou a recompensa pela captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a quem acusa, sem provas, de liderar o «Cartel dos Sóis». Caracas denuncia que o verdadeiro objetivo dos EUA é promover uma mudança de regime para ter acesso aos seus recursos petrolíferos e de gás. A Rússia, o Brasil, o México, a Colômbia e o Alto Comissariado da ONU condenaram as operações militares em águas internacionais.
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