Cuba

Cuba condena a doutrina militar de domínio dos EUA.

«A atual doutrina militar de domínio do governo dos EUA, que procura impor a paz através da força, promove a aceleração desproporcionada da corrida ao armamento e a proliferação de guerras, as ameaças de conflitos e a negligência face a desafios globais como a fome, a pobreza e o desenvolvimento sustentável», afirmou Bruno Rodríguez.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, denunciou esta segunda-feira que o Governo dos Estados Unidos procura impor a paz pela força com a sua actual doutrina militar de domínio, ao mesmo tempo que promove guerras e ameaças de conflitos num contexto de crescentes agressões contra Havana.

«A actual doutrina militar de domínio do Governo dos EUA, que procura impor a paz através da força, promove a aceleração desproporcionada da corrida ao armamento e a proliferação das guerras, as ameaças de conflitos e a negligência face a desafios globais como a fome, a pobreza e o desenvolvimento sustentável», escreveu Rodríguez na rede social X.

O diplomata cubano referiu que a despesa militar mundial atingiu os 2,887 biliões de dólares em 2025, o que representa um aumento de 2,9 % em termos reais em relação a 2024, registando o seu décimo primeiro ano consecutivo de crescimento.

Intensificação da retórica e das ameaças contra a ilha

Durante uma entrevista à Russia Today, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, denunciou que os EUA mantêm «um elevado nível de retórica ameaçadora» em relação à ilha, ao mesmo tempo que acusam Havana de criar e financiar «uma plataforma de terrorismo político de esquerda».

O chefe de Estado afirmou que Cuba não quer a guerra, pois esta seria «um banho de sangue que traria consequências terríveis para ambas as nações».

Díaz-Canel insistiu que Washington promove uma narrativa mediática para ocultar a sua culpa nos desafios que a ilha enfrenta e apresentar justificações para possíveis acções contra Cuba. Afirmou que, apesar de a agressão  política de Washington ser agora maior do que em qualquer outro momento, o Governo de Havana procura evitar um confronto entre os dois povos.

Acusações vindas de Washington

Paralelamente, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou esta segunda-feira no X que os dirigentes cubanos «têm sido os principais patrocinadores do esquerdismo radical» contra os Estados Unidos há mais de seis décadas.

Rubio acrescentou que um relatório do Departamento de Estado expõe o historial de espionagem e subversão da ilha em território norte-americano. De acordo com o documento citado pelo responsável, vários dos episódios de maior agitação política na  história recente dos EUA estão relacionados com a influência do Governo cubano.

Escalada das tensões e cerco energético

No início deste ano, as tensões entre Washington e Havana intensificaram-se na sequência da acção militar dos EUA na Venezuela para capturar e retirar do país o presidente Nicolás Maduro.

Sob o pretexto de uma suposta ameaça à segurança nacional, o presidente Donald Trump oficializou, a 29 de janeiro, a aplicação de direitos alfandegários aos países que fornecem petróleo bruto a Cuba.

Perante esta medida, a administração insular defende que Washington recorre ao bloqueio energético para estrangular a sua  economia e prejudicar o quotidiano da população.

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