Quando a maldade opta pela guerra
Existe uma forma particular de cegueira que só a arrogância sofre: a embriaguez da irresponsabilidade.
É, no mínimo, alarmante observar como certos setores do establishment norte-americano e os seus porta-vozes no sul da Flórida brincam com a ideia de uma agressão militar contra Cuba, como se se tratasse de um tabuleiro de estratégia e não de uma nação viva, de um povo de carne, osso e memória.
É fácil prever — pois a história é cíclica na sua miséria moral — a explosão de entusiasmo desenfreado no restaurante Versalles ou nas plataformas digitais do ódio, caso se desencadeasse uma atrocidade de tal magnitude.
Mas o que se segue depois do brinde com o sangue alheio?
Quanto tempo duraria esse «entusiasmo» antes de se transformar no lodo de uma tragédia de proporções catastróficas?
Quem promove este aventurismo ignora, por vontade própria ou por estupidez, que está a acender uma mecha que não conseguirá apagar.
Uma agressão contra Cuba não seria o «passeio militar» que os oportunistas políticos em Miami tentam vender; seria um incêndio de consequências incalculáveis, não só para a nação cubana, mas também para a própria estabilidade e segurança dos Estados Unidos.
Brincar com a guerra é como brincar com um bumerangue que volta sempre com mais força.
Seria de se perguntar: até que ponto pode ser mesquinha uma causa que precisa de uma guerra para tentar impor-se?
Que tipo de «liberdade» é essa que se anuncia com o silvo dos mísseis e o luto das famílias? Só uma causa vazia, desprovida de ética e de apoio concreto, pode apostar no extermínio como instrumento político.
A mesquinhez daqueles que pedem bombas a partir do conforto de um ar condicionado representa o nível mais baixo da condição humana.
Defender Cuba hoje não é apenas um acto de patriotismo; é um acto de bom senso universal.
É defender o direito de um povo a existir sem a sombra de uma bota estrangeira.
Perante o delírio daqueles que procuram a glória no desastre, é imperativo que prevaleçam o raciocínio, a inteligência humana e aquele bom senso que parece ter-se perdido nos corredores do poder anexionista.
Cuba não é um ponto num mapa; é a dignidade de milhões de pessoas. E contra essa dignidade, nenhum porta-aviões tem poder.
Esperemos que a lucidez ponha um freio à barbárie antes que a história tenha de registar, mais uma vez, a crónica de um erro imperdoável.
A dignidade daqueles que resistem é, no fim de contas, a única força capaz de derrotar a arrogância daqueles que atacam.

Henry Omar Perez | Comunicador Membro da Asociación Cubana de Comunicadores Sociales, escreve para a ACN, Jornal Soy Villa Clara e para as páginas Cuba Soberana e Razones de Cuba.


