Quando os porta-aviões regressarem
A situação actual faz-me lembrar a que vivemos na época de Ronald Reagan, quando a ameaça de invasão era real e iminente. Naquela altura, eu era um jovem tenente, chefe da companhia de reconhecimento de uma divisão.
Os jovens sob o meu comando eram todos da capital, da mesma cidade que estávamos dispostos a defender com as nossas vidas.
Tive também a sorte de participar na formação e preparação de pequenas unidades das MTT; não descansávamos, não havia noites, nem sábados, nem domingos.
Foram meses de trabalho árduo, um trabalho que realizávamos com a certeza da vitória; todos os domingos, cada unidade das MTT treinava o que seria necessário fazer, juntamente com as Brigadas de Produção e Defesa e as Unidades Regulares, caso o invasor ousasse pisar solo cubano.
Todos sabíamos qual era o nosso lugar, a nossa posição, a nossa missão; a organização era quase perfeita e o espírito de luta estava em alta.
Agora que já tenho cabelos grisalhos, imagino que tudo continue a correr da mesma forma e que os nossos jovens estejam preparados e prontos.
Para enfrentar o inimigo, é preciso ter visão, preparação, organização e coragem; e disso temos de sobra.
Ainda não me deram a minha AK; espero que já esteja pronta algures, ou vou ter de a tirar ao inimigo.
Ninguém me terá de dar um lugar no combate; eu conheço-o bem e o que se aprende bem nunca se esquece.
Quando o porta-aviões norte-americano regressar do Irão, vão ter uma surpresa, certamente nada agradável; a passagem por Cuba pode tornar-se um verdadeiro pesadelo.
Espero que os gritos de guerra não prevaleçam; espero que os canhões que hoje ameaçam sejam silenciados pela razão e pelo diálogo.
Autor:
Raúl Antonio Capote | (Havana, 1961) é um escritor, historiador, professor, investigador e jornalista cubano. Jornalista, chefe de redacção do Granma Internacional
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