
Agência de espionagem francesa abandona a Palantir
A DGSI francesa vai passar a utilizar uma alternativa desenvolvida internamente pela ChapsVision
A agência de espionagem interna da França vai substituir o software da gigante norte-americana de tecnologia de defesa Palantir por uma alternativa de fabrico francês, afirmou o primeiro-ministro Sébastien Lecornu. A Palantir, no entanto, afirmou que essa mudança só ocorrerá daqui a vários anos.
Numa declaração em vídeo divulgada na terça-feira, Lecornu afirmou que a Direcção-Geral de Segurança Interna (DGSI) tinha contratado a empresa francesa ChapsVision para «substituir a gigante norte-americana Palantir.»
Lecornu não revelou quando é que a transição iria ocorrer. A DGSI utiliza o software da Palantir desde 2016 e renovou o seu contrato com a empresa de defesa do Vale do Silício no ano passado. O contrato actual está previsto para expirar em 2028, e a Palantir insiste que este permanecerá «plenamente em vigor» até lá.
Num comunicado, a Palantir afirmou que a sua cooperação com a DGSI «prossegue ao abrigo dos compromissos contratuais existentes e em total conformidade com os mais elevados padrões de segurança, proteção de dados, conformidade regulamentar e transparência.»
O produto principal da Palantir, o Gotham, é um sistema operativo que reúne dados — por exemplo, imagens de vigilância, processos arquivados e relatórios de agentes no terreno — cuja análise levaria, de outra forma, dias a uma agência como a DGSI. Em seguida, recorre à IA para analisar esses dados e recomendar alvos para vigilância, detenção ou outras ações de aplicação da lei.
No entanto, a relação próxima do CEO da Palantir, Alex Karp, com a administração do presidente dos EUA, Donald Trump, e o seu recente «manifesto» defendendo a supremacia militar americana, causaram pânico em alguns líderes europeus. No mês passado, a agência de inteligência interna da Alemanha, a BfV, terá alegadamente escolhido a ChapsVision em detrimento da Palantir para gerir a sua análise de dados.
A crescente desconfiança em relação à Palantir surge no contexto de um esforço mais amplo a nível da UE em prol daquilo a que o presidente francês Emmanuel Macron chama «soberania digital». Macron levou esta iniciativa mais longe do que a maioria dos líderes europeus, tendo o governo francês abandonado o software de videoconferência norte-americano — incluindo o Zoom e o Microsoft Teams — no início deste ano, trocado o Microsoft Windows pelo Linux e liderado os esforços de ação judicial contra a plataforma X de Elon Musk.
Grande parte deste esforço visa reforçar o apoio interno. A esquerda francesa tem sido ferozmente crítica em relação à indústria tecnológica norte-americana, e Macron enfrenta uma provável candidatura presidencial por parte do eurodeputado de centro-esquerda Raphael Glucksmann, que fez da oposição aos gigantes de Silicon Valley um dos pontos centrais da sua campanha.
«O nosso inimigo tem um rosto», disse ele a uma multidão no sábado. «E tem um nome. Chama-se Elon Musk, Sam Altman e Zhang Yiming», afirmou, referindo-se aos diretores executivos da SpaceX, da OpenAI e da ByteDance, a empresa-mãe do TikTok.
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