
Vitória contundente de Cuba face às pressões dos EUA no Programa Alimentar Mundial
Com 29 votos a favor e apenas dois contra, o Programa Alimentar Mundial aprovou, apesar das manobras dos EUA, um documento que permitirá manter a cooperação dessa agência com a ilha durante o período de 2026 a 2030
Bruno Rodríguez Parrilla, membro do Bureau Político e ministro dos Negócios Estrangeiros, destacou esta sexta-feira, através da rede social X, a «vitória contundente de Cuba no Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU face às manobras dos EUA para impedir a ajuda alimentar às Nações Unidas ao povo cubano».
O Ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou ainda que, «apesar das suas pressões enormes e espúrias, os EUA ficaram isolados no Conselho Executivo desse órgão da ONU, que aprovou, por 29 votos a favor e apenas dois contra, o programa que permitirá manter a cooperação dessa agência com Cuba durante o período de 2026 a 2030, num montante de 116 milhões de dólares para a segurança alimentar, num contexto marcado pelo reforço sem precedentes do bloqueio e do cerco energético dos EUA».
A este respeito, Alejandro González Behemaras, director de Organismos Internacionais do Ministério dos Negócios Estrangeiros, prestou declarações à imprensa, nas quais salientou que, esta manhã, na sede do Programa Alimentar Mundial, em Roma, a delegação dos Estados Unidos tentou, mais uma vez, impedir a aprovação do documento que rege a cooperação desta agência das Nações Unidas com Cuba, com o objetivo de prejudicar o seu trabalho em prol do país caribenho.
Salientou que «as manobras e as pressões brutais do governo dos EUA sobre os seus membros» demonstram repetidamente o isolamento a que Washington pretende submeter a Maior das Antilhas a nível internacional, no âmbito da sua política em relação à ilha.
Além disso, precisou que «o facto de os Estados Unidos terem tentado impedir a adopção do Programa-País para Cuba — que é o documento que regerá a cooperação dessa agência com a ilha, no período de 2026 a 2030 — tem uma conotação particular: estamos a falar de impedir que cheguem a Cuba alimentos financiados ou canalizados através do sistema das Nações Unidas».
González Behemaras insistiu que essa manobra «demonstra, com absoluta clareza, as intenções do Governo dos Estados Unidos em relação a Cuba e faz parte da política de reforço sem precedentes do bloqueio económico, comercial e financeiro contra o nosso povo».
Além disso, afirmou ele, «isso responde à mesma lógica do cerco energético criminoso que nos é imposto, da inclusão de Cuba na lista espúria e unilateral de Estados que supostamente patrocinam o terrorismo. Ou seja, faz parte da mesma sequência de tentativas de subjugar e asfixiar o nosso povo».
Afirmou, igualmente, que as medidas da Casa Branca ocorrem num contexto «particularmente difícil para a economia e a sociedade cubanas, precisamente devido aos efeitos prolongados de todas estas políticas».
«O facto de o governo dos Estados Unidos ter tentado impedir a adopção deste programa, de impedir que este possa funcionar, demonstra que não se interessa, nem um pouco, pelo destino do nosso povo», afirmou.
Nesse sentido, referiu que se trata de «um programa de natureza humanitária, muito delicado». Além disso, salientou que o Programa Alimentar Mundial tem um longo historial de trabalho e cooperação com as autoridades cubanas. «Temos-lhes visto a trabalhar para fazer face ao impacto de fenómenos hidrometeorológicos extremos, apoiando o Plano de Soberania Alimentar e Educação Nutricional (SAN)».
Argumentou, da mesma forma, que o PMA tem vindo a ajudar Cuba nesta situação complexa que o país atravessa e noutras situações semelhantes.
Precisamente, dada a natureza do Programa País e a ligação da Ilha com o PMA, o responsável do Minrex salientou que, «esta manobra do Governo dos Estados Unidos, que fracassa redondamente, demonstra, com toda a clareza, que é mentira que se interesse ou se preocupe com o destino dos cubanos, mas que faz parte de uma narrativa muito cínica ao tentar justificar as ações que violam o direito internacional e são contrárias à Carta das Nações Unidas, o que tem caracterizado a política dos Estados Unidos em relação ao nosso país».
«Devo acrescentar, além disso, que este é um programa que é negociado com os membros do Conselho Executivo e acordado entre o país em questão e a agência das Nações Unidas — neste caso, o Programa Alimentar Mundial —, e que envolve um processo de elaboração que se prolonga por muitos meses», precisou.
Este programa deveria ter sido aprovado no ano passado, explicou. E isso não foi possível, «precisamente devido à atitude dos Estados Unidos de criar constantemente entraves e obstáculos». Perante esta situação, «num esforço para evitar que um instrumento de cooperação tão sensível numa questão tão importante fosse politizado, os membros do Conselho Executivo, incluindo Cuba, que dele faz parte, têm trabalhado de forma muito constante e realizado longas consultas, desde setembro do ano passado até à data».
Contundente victoria de #Cuba en @WFP frente a maniobras de #EEUU para impedir ayuda en alimentos al pueblo cubano por parte de Naciones Unidas.
— Bruno Rodríguez P (@BrunoRguezP) June 26, 2026
Pese a sus ingentes y espurias presiones, EEUU quedó aislado en la Junta Ejecutiva de dicho órgano de la ONU, que aprobó, por 29… pic.twitter.com/qcCh3jONRi
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