Venezuela

A cooperação e a solidariedade orientam a recuperação na Venezuela após a dupla onda sísmica

Perante a situação de emergência, cidadãos de diversas origens juntaram-se às equipas mobilizadas pelo Governo nacional e aos voluntários locais, unindo esforços e competências nas tarefas de assistência.

A transformação de espaços recreativos em centros de assistência comunitária reflete a resposta humana perante a emergência provocada pelos recentes terramotos na Venezuela. Em zonas como Los Corales, no estado de La Guaira, jovens da capital venezuelana, Caracas, substituíram as actividades de lazer pela gestão de um posto de saúde e centro de recolha criados de forma espontânea.

Esta iniciativa voluntária dá prioridade ao fornecimento de material médico, soro e apoio emocional às pessoas afetadas pelos devastadores sismos, ignorando as diferenças individuais em prol de uma acção colectiva de apoio e solidariedade.

A situação de emergência mobilizou o apoio de pessoas de diversas origens que, juntamente com as equipas mobilizadas pelo Governo nacional e os voluntários, unem os seus esforços aos trabalhos de assistência. Um chef argentino encarrega-se da preparação de refeições nutritivas, adaptadas aos recursos disponíveis numa cozinha de campanha no estado costeiro, transformando esse espaço num centro provisório de convívio familiar.

Paralelamente, o centro oferece abrigo e cuidados médicos a pessoas em situação de extrema vulnerabilidade, como Oswaldo, um idoso que ficou ferido e perdeu a sua casa durante o duplo sismo registado no passado dia 24 de junho. Atualmente, a sua perna está a melhorar, enquanto aguarda a sua próxima transferência, agendada para um lar de idosos em Catia La Mar.

Sobre a sua situação, os jovens do centro explicaram que acolheram o Oswaldo como se fosse um avô quando ele chegou, afirmando que não queria dinheiro, mas sim ajudar a ganhar a sua comida, uma vez que se encontrava completamente sozinho e não tinha onde viver.

A equipa ofereceu-lhe um colchão para que pudesse viver com eles, salientando que ele é um bom homem e que assumem de todo o coração a grande responsabilidade de o ajudar para que se sinta bem. O assistido expressa com gratidão que os jovens cuidam tanto dele que nem o deixam mexer-se quando tenta levantar-se para ajudar. A tristeza que o invade dissipa-se graças aos netos adoptivos.

As operações em La Guaira, o estado mais afectado pelos terramotos e declarado zona de catástrofe, contam também com o apoio de cidadãos mobilizados de outras regiões do país, como Israel Rivas, que viajou de San Félix, no estado de Bolívar, para oferecer os seus conhecimentos como intérprete.

O seu trabalho facilitou a comunicação entre a delegação de Busca e Salvamento do Reino Unido e as comunidades afetadas em zonas como Caraballeda. A mediação linguística revelou-se fundamental para coordenar os pedidos de silêncio durante a utilização de dispositivos de deteção e para canalizar a atenção e a escuta das necessidades dos sobreviventes.

Enquanto esse tipo de apoio salvava vidas no terreno, o fluxo de informação nas redes sociais enfrentava um cenário completamente oposto. De acordo com as organizações de socorro, a divulgação em massa de notícias antigas ou não verificadas tornou-se um obstáculo.

O facto de terem sido partilhados dados desactualizados levou, por exemplo, a que os bombeiros da Costa Rica enviassem recursos de emergência para locais onde os trabalhos de salvamento já tinham sido concluídos, atrasando a resposta em zonas com necessidades imediatas.

A desinformação digital também se manifestou através de conteúdos falsos publicados por alguns criadores de conteúdo, que afirmavam que estavam a despejar entulho nas costas de Caraballeda.

As autoridades institucionais desmentiram imediatamente estas notícias, salientando que a legislação local proíbe estritamente causar danos à fauna marinha e esclarecendo que os planos técnicos visam, pelo contrário, avaliar a reutilização construtiva dos materiais.

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