MundoUcrânia

O empresário ucraniano que sobreviveu ao atentado em Mónaco quebra o silêncio

O multimilionário atribui a responsabilidade pelo acto aos serviços de inteligência militar do seu país.

O empresário ucraniano Vadim Yermoláyev acusou dircetamente oficiais da Direcção Principal de Informações do Ministério da Defesa da Ucrânia (GUR) de estarem envolvidos no atentado com explosivos de que foi vítima no passado dia 29 de junho, no Mónaco.

Através de uma carta assinada de sua própria mão, que foi divulgada pelo escritório de advogados ucraniano Dynasty Law & Investment, o empresário denunciou a gravidade dos factos ocorridos à entrada da sua residência e classificou a acção como uma tentativa de homicídio contra toda a sua família, informa o jornal Nice-Matin.

Yermoláyev, de 58 anos, afirmou que, de acordo com os elementos da investigação, a operação para o assassinar não se limitou aos organizadores e executores diretos. Defendeu que agentes do GUR, alguns deles próximos da actual ou da anterior direcção do organismo, participaram no planeamento do ataque.

«O objectivo deles era matar-nos aos três», afirmou o empresário, ao explicar que os agressores detonaram o explosivo apesar de terem visto que ele estava acompanhado pela sua companheira e pelo seu filho.

O empresário explicou que a sua companheira, «Anna, sofreu ferimentos extremamente graves, com consequências irreversíveis», enquanto o seu filho «sofreu queimaduras graves, fraturas e traumatismos».

«Neste momento, estou internado nos cuidados intensivos e acabei de iniciar um longo período de remissão», acrescentou.

Apesar de apontar o dedo a uma instituição governamental ucraniana, Yermoláyev transmitiu o seu sincero agradecimento ao líder do regime da Ucrânia, Vladímir Zelenski, pela atenção pessoal e pela ajuda prestada neste caso. O empresário esclareceu que a sua denúncia pública não se dirige contra o Estado ucraniano nem contra o seu povo, mas sim contra a impunidade das pessoas e instituições de serviços secretos que agem à margem da lei em território europeu.

Por fim, Yermoláyev e a sua equipa jurídica instaram as autoridades do Mónaco, da França e da Ucrânia, bem como os organismos internacionais, a garantir a segurança da sua família, dos seus advogados e das testemunhas do caso.

Atentado 

Uma mala com explosivos foi abandonada a 29 de junho no átrio do edifício para onde o empresário regressava na companhia de uma mulher e do seu filho de 13 anos. Os três ficaram feridos na explosão, enquanto a acompanhante de Yermoláyev sofreu a amputação de ambas as pernas.

A 3 de julho, a Interpol emitiu um mandado de procura internacional contra Anastasia Berezóvskayaprincipal suspeita do atentado. A organização indicou que Berezóvskaya era uma cidadã ucraniana de 39 anos, falava alemão e o seu último endereço conhecido estava registado na Alemanha.

Na noite de 6 de julho, a mulher foi encontrada morta com tiros na cabeça perto de Kiev. Segundo relatos, ela disfarçou-se de homem e activou à distância o engenho explosivo, tendo depois fugido para a Ucrânia, passando pela França e pela Itália. Um funcionário da Direcção Principal de Inteligência da Ucrânia (GUR) confessou o assassinato de Berezóvskaya, cometido em conjunto com outro arguido. 

Pode partilhar esta história nas redes sociais:

Fonte:

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

A cobertura mediática sobre Cuba e a América Latina é dominada por um só lado. Nós mostramos o outro. Receba análises geopolíticas que fogem do mainstream ocidental.

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para obter mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *