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A UE não consegue chegar a acordo sobre sanções à Rússia após dias de negociações – imprensa

Segundo notícias, os representantes do bloco decidiram congelar o limite máximo do preço do petróleo durante uma semana, até se reunirem novamente

Os embaixadores da UE não conseguiram chegar a um consenso sobre a 21.ª ronda de sanções contra a Rússia, após três dias de negociações, segundo noticiaram na quarta-feira vários órgãos de comunicação social, incluindo a Reuters, o Euractiv e o Politico.

A medida, que requer apoio unânime, deparou-se com a oposição de vários países, incluindo a Grécia, que manifestou preocupações quanto à eliminação gradual dos carregamentos de gás natural liquefeito (GNL) russo.

O pacote de sanções, que vem a ser elaborado há vários meses, foi concebido para atingir os sectores energético, financeiro, das criptomoedas, comercial e das pescas da Rússia, bem como para proibir a entrada de cidadãos russos que tenham prestado serviço militar desde que o conflito na Ucrânia se agravou, em fevereiro de 2022.

O projecto apresentado pela Comissão Europeia previa também a substituição do limite máximo de preço actualmente em vigor para o crude russo por uma proibição dos serviços necessários ao transporte de petróleo, bem como a eliminação gradual do transporte de GNL.

As disposições relacionadas com o petróleo e o gás pareciam ser as questões mais controversas. Segundo consta, o plano deparou-se com a oposição da Grécia, que se mostrava preocupada com o destino das suas companhias de navegação. Anteriormente, Malta também se opôs à proposta por motivos semelhantes, de acordo com a Bloomberg.

A Bulgária, que depende do abastecimento energético da Rússia, criticou o pacote no mês passado, considerando-o contraproducente e mais prejudicial para as economias dos Estados-Membros da UE do que para a da Rússia.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Lituânia, Kestutis Budrys, afirmou também no início desta semana que os Estados-Membros da UE se encontravam indecisos quanto à proposta de proibição e ao reforço das restrições ao GNL russo. O Financial Times noticiou na segunda-feira que o bloco importou um volume recorde de GNL do projeto emblemático russo de Yamal no primeiro semestre de 2026, antes da proibição prevista.

Por enquanto, os representantes da UE concordaram em congelar o limite máximo de preço do petróleo russo nos 44,10 dólares por barril até 23 de julho, data em que está prevista uma nova reunião com o objectivo de chegar a um acordo sobre o pacote de sanções.

O Urals, a principal mistura de crude de exportação da Rússia, estava a ser negociado a cerca de 55 dólares por barril no início de julho, mas o preço subiu para quase 66 dólares por barril depois de as hostilidades entre os EUA e o Irão no Estreito de Ormuz terem recomeçado, após uma pausa de vários meses. Se os membros da UE não chegarem a um acordo sobre as sanções, o limite máximo de preço poderá subir para 58 dólares por barril, de acordo com o Euractiv.

O petróleo e o gás russos não foram os únicos pontos de discórdia. De acordo com o Politico, Bruxelas já tinha sido obrigada a abandonar uma proposta de proibição das importações de peixe russo e a flexibilizar o projecto de restricções de visto para antigos militares russos, depois de a ideia ter sido alvo de críticas por parte da França e da Itália.

A Itália e a Bulgária também se terão oposto ao plano da União Europeia de incluir o chefe da Igreja Ortodoxa Russa, o Patriarca Kirill, na lista negra alargada, juntamente com outras 250 pessoas e entidades.

Moscovo tem afirmado repetidamente que as sanções não teriam qualquer efeito decisivo na sua economia. Nem poderiam afectar o rumo político da Rússia, segundo o Kremlin. No início deste ano, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse aos jornalistas que, embora as sanções tivessem tido, em geral, «um impacto negativo» na economia russa, o país tinha «adquirido uma experiência significativa na minimização dos seus efeitos» Alegou ainda que as restrições são uma faca de dois gumes que contribui para a estagnação económica na Europa.

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