
Indignação em Espanha após a detenção de um norte-americano pró-palestiniano
A detenção do multimilionário norte-americano James Chambers em Espanha, a pedido do governo de Trump, suscita indignação na esquerda face à perseguição aos apoiantes da Palestina.
A detenção de um abastado doador norte-americano e herdeiro de uma importante empresa de telecomunicações na ilha espanhola de Ibiza, a pedido do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, provocou reacções generalizadas contra a crescente repressão do governo de Trump ao movimento de solidariedade com a Palestina.
As autoridades espanholas detiveram o herdeiro da Cox Communications e autodenominado anti-imperialista James «Vergie» Chambers, por alegado apoio material ao Hamas.
Actualmente, encontra-se detido em Madrid sem direito a fiança, aguardando uma audiência na quinta-feira para determinar se lhe será concedida a liberdade sob fiança.
O Supremo Tribunal espanhol dispõe de 40 dias para se pronunciar sobre o pedido de extradição de Chambers apresentado pelo governo de Trump.
Caso seja aprovada, a decisão final caberá ao Conselho de Ministros espanhol, segundo um porta-voz do tribunal. As acusações contra Chambers mantêm-se em segredo.
Este caso constitui o primeiro caso conhecido em que Washington solicita a extradição de um cidadão detido e acusado de apoiar o Hamas, segundo Stanley Cohen, advogado com 40 anos de experiência em casos de terrorismo.
Condenações
Advogados e activistas dos direitos humanos condenaram a medida.
Stanley Cohen, advogado especializado em casos de terrorismo, afirmou que a decisão (de solicitar a extradição de Chambers) tinha uma motivação claramente política, ao serviço dos interesses de Trump, do Comité Americano-Israelita para os Assuntos Públicos (AIPAC) e dos simpatizantes sionistas.
Descreveu a decisão como uma perseguição deliberada com fins políticos.
Por seu lado, a companheira de Chambers, Stella Schnabel, afirmou que «Virgie está preso porque utilizou a sua fortuna para apoiar a Palestina e aqueles que sofrem o genocídio em Gaza. Em suma, enfrenta uma perseguição política por ter dedicado a sua vida a construir uma sociedade melhor, em vez de explorar as pessoas e lucrar com a guerra. Deveria estar com a nossa família, a continuar o seu importante trabalho humanitário e social».
O seu advogado, Lawrence Salva, referiu que Chambers doou mais de um milhão de dólares a projectos humanitários em Gaza, além de financiar iniciativas progressistas e humanitárias, desde um grupo comunitário de ascendência africana até uma organização sem fins lucrativos que ajuda crianças no Médio Oriente, após ter vendido acções no valor de 250 milhões de dólares à sua família em 2023.
No âmbito político espanhol, Irene Montero, membro do partido Podemos e do Parlamento Europeu, instou o seu governo a proteger Chambers e a não o extraditar.
«A Espanha não pode colaborar com Trump na repressão à solidariedade para com a Palestina: o governo deve protegê-lo e não entregá-lo aos allegados de Netanyahu», afirmou.
Seis deputados do Congresso espanhol, do partido Somar, também consideraram que a detenção fazia parte da crescente repressão do governo de Trump contra o movimento de solidariedade com a Palestina.
As organizações de direitos humanos manifestaram a sua oposição ao pedido de extradição, argumentando que a medida parecia ter motivações políticas devido ao seu apoio à causa palestiniana.
Salientaram que a sua extradição criaria um precedente perigoso que poderia violar a liberdade de expressão, de reunião e de participação política.
Chambers já tinha sido alvo de ampla cobertura mediática nos Estados Unidos, incluindo uma entrevista numa estação de televisão local de New Hampshire no final de 2023 sobre um ataque directo contra a Elbit Systems, uma empresa israelita contratada no setor da defesa, perpetrado por um grupo que ele financiava na altura, conhecido como o Movimento Palestiniano.
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