
Khamenei: o homem que humilhou Washington
Khamenei derrotou o imperialismo: os 14 pontos do memorando de entendimento foram favoráveis ao Irão, enquanto Washington aceitou as condições de Teerão.
A 9 de julho de 2026, após seis dias de luto, foi sepultado em Mashhad o homem a quem os seus seguidores conheciam como «O Imã dos Oprimidos», o baluarte do Eixo da Resistência, o Líder Mártir do Irão, o ayatolá Sayyed Ali Khamenei, cujo cortejo fúnebre foi descrito pelo Financial Times como um dos funerais mais concorridos da história contemporânea, com uma afluência entre 10 e 20 milhões de pessoas em Teerão e mais de 40 milhões em todo o país, segundo estimativas da agência Fars, uma despedida que o mundo não esperava.
Ao funeral compareceram delegações de mais de 100 países, entre as quais chefes de Estado da Rússia, Turquia, Iraque, Paquistão, China, Cuba e Arménia, e as cerimónias estenderam-se pelo Irão, Iraque, Iémen, Líbano, países da Europa e da América Latina, um facto que desmonta a narrativa de isolamento que os Estados Unidos e «Israel» tentaram consolidar após o ataque de 28 de fevereiro, quando pensaram que, com o seu martírio, destruiriam a República Islâmica; pelo contrário, o funeral histórico revelou a derrota estratégica de Washington e «Tel Aviv».
A enorme popularidade de Khamenei e a sua importância geopolítica residem no Eixo da Resistência, uma filosofia de soberania, a convicção de que a revolução é um processo permanente que deve ser defendido contra a ingerência estrangeira, uma política de defesa activa dos vulneráveis e dos oprimidos, tal como foi estabelecida pelo Imã Khomeini, uma arquitectura ideológica que funde a fé xiita com a luta anti-imperialista.
Mas quem era o ayatolá Sayyed Ali Khamenei? Do ponto de vista do direito internacional, Khamenei era o Chefe de Estado de um país reconhecido pela comunidade internacional, membro das Nações Unidas, que governou durante quase 37 anos. Após a Revolução Islâmica de 1979 e a guerra imposta pelos Estados Unidos através do seu aliado Saddam Hussein, a teocracia islâmica foi liderada inicialmente por o ayatolá Ruhollah Khomeini e, após a sua morte em 1989, a liderança passou para Ali Khamenei, que já tinha exercido dois mandatos como presidente, consolidando o Estado, a sua estrutura política e a sua geopolítica de defesa e resistência, antecipando desde o início o confronto com os seus inimigos.
Durante quase 37 anos, Khamenei conferiu identidade ao Irão face aos seus vizinhos do Golfo, que, apesar de se encontrarem sob a protecção dos Estados Unidos, viram esse «guarda-chuva» desmoronar-se e compreenderam que o Irão xiita, apesar de estar isolado, bloqueado e bombardeado, se tornou a nova potência da Ásia Ocidental. O seu legado demonstra que a teocracia islâmica não é um dogma, mas sim poder balístico, conhecimento nuclear e capacidade defensiva, e uniu uma sociedade que os seus inimigos consideravam já desmoronada. O seu sucessor, o ayatolá Mojtaba Khamenei, classificou a participação popular como «histórica» e jurou vingança contra «os assassinos criminosos», uma advertência que aumenta a preocupação internacional.
Quando Donald Trump ordenou o seu assassinato a 28 de fevereiro, pensou que o sistema político iraniano entraria em colapso, mas a República Islâmica não só sobreviveu, como se consolidou como um adversário forte. Os analistas apontam que Khamenei derrotou o imperialismo: os 14 pontos do memorando de entendimento foram favoráveis ao Irão, enquanto Washington aceitou as condições de Teerão. Esta derrota não tem deixado Trump dormir, tem-no incomodado como aquele pugilista que não aceita a derrota e procura a revanche para limpar a sua imagem, ainda mais quando o processo de destituição, após uma possível derrota nas eleições intercalares de novembro, poderá enterrar definitivamente a sua carreira política.
A partir do santuário do Imã Reza, em Mashhad, o eco da multidão que se despediu de Khamenei continua a ressoar como uma lembrança de que os povos que resistem não se rendem nem perante bombas nem perante bloqueios, e que o legado do «Imã dos Oprimidos» transcende as fronteiras do Irão para se tornar um símbolo da luta pela soberania e pela dignidade em todo o mundo.
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Autora:
Sdenka Saavedra Alfaro
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