Argentina, excessiva contra os reformados argentinos
Buenos Aires, 31 de Julho (Cuba Soberana) Forças policiais combinadas reprimiram desnecessariamente um grupo de refomados argentinos que se reuniram para marchar até à Praça de Maio em protesto por um aumento nos salários e pela manutenção da moratória previdenciária.
As forças de segurança comandadas por Patricia Bullrich voltaram a agir. Como todas as quartas-feiras, reprimiram os reformados que se reuniram em frente ao Congresso para protestar contra os cortes e o veto ao aumento dos salários que Javier Milei está a preparar. Uma operação conjunta entre a Polícia Federal e a Polícia da Cidade aplicou o chamado “protocolo antipiquetes” e atacou com cassetetes e gás lacrimogêneo os grupos de idosos que tentavam chegar à avenida 9 de Julho. O saldo da repressão foram de mais de 30 feridos e pelo menos 7 pessoas detidas. “Não pode haver tanta violência contra os idosos”, disse Rubén, membro da Jubilados Insurgentes, ao jornal Página/12.
No contexto do iminente bloqueio de Milei às leis aprovadas no Senado, os aposentados voltaram às ruas para exigir que o aumento de seus rendimentos seja efectivado, além de exigir a renovação da moratória previdenciária e a recomposição da gratuidade dos medicamentos e tratamentos do PAMI. Às 15h, começou uma rádio aberta no centro de Buenos Aires, na qual participaram diversos sectores que apoiam as reivindicações dos idosos. Em seguida, os grupos realizaram a habitual ronda no quarteirão do Parlamento Nacional, juntamente com um semaforazo. Minutos depois, quando a coluna se dirigia para a avenida de Mayo, começou a repressão policial.
“Cem metros antes de chegarmos à avenida, colocaram uma barreira e, quando estávamos todos na rua, lançaram gás contra nós. Tivemos que recuar, porque muitos colegas que estavam na linha da frente não conseguiam respirar e tinham os olhos irritados”, contou Rubén. “Não pode haver tanta violência contra os idosos. Simplesmente, queríamos chegar à 9 de Julho para fazer um acto, porque na semana passada foi muito difícil chegar à Plaza de Mayo, muitos desistiram a meio do caminho por causa da idade, das pernas e do cansaço, às vezes não conseguimos”, acrescentou o representante dos Jubilados Insurgentes. “Íamos partilhar algumas palavras em 9 de Julho em nome dos reformados e ficava por aí, não havia necessidade de reprimir, além de que não havia muito trânsito, porque na verdade o trânsito foi cortado pela polícia”, disse Rubén, afirmando que a repressão não vai conseguir que abandonem as ruas e deixem de protestar pelos seus direitos. “Vamos continuar a reclamar. Queremos não só evitar o veto, mas também que nos dêem um aumento adequado. O que exigimos é uma pensão que corresponda ao custo de vida básico de um idoso, porque se nos derem cinco ou dez mil pesos de aumento, mas o custo de vida subir muito mais, então é impossível», acrescentou, e classificou Milei de “mentiroso e falso”.
Manuel Gutiérrez integra a Mesa Coordenadora Nacional de Aposentados e Pensionistas. Em conversa com o jornal Página/12, destacou que, apesar da repressão, “a convocatória de hoje foi importante, porque foi ampla e bastante unificada”. Além dos grupos de reformados que costumam liderar os protestos, como a União dos Trabalhadores Aposentados em Luta (Utjel), Jubilados Insurgentes e a Mesa Coordenadora, também participaram organizações que trabalham com pessoas com deficiência, como a Assembleia Discas em Luta, que manifestaram o seu apoio aos idosos na rádio aberta e destacaram a união na luta contra o veto de Milei às leis que beneficiam aposentados e pessoas com deficiência. Gutiérrez também destacou que “nas demais províncias do país, os protestos de quarta-feira estão a ser replicados, como em Catamarca, Mendoza, Córdoba, Rosário, Tucumán, Rio Negro, Santa Cruz e outras. Já não é uma expressão apenas da capital, mas nacional, o que é muito importante destacar porque é pouco divulgado. O que começámos aqui no Congresso está a ser replicado a nível federal”. “A polícia vai sempre com a intenção de reprimir. Provocam, sabem que os ânimos estão exaltados, estão exaltados. Hoje, eles impediram a passagem, houve uma confusão e depois a repressão com os detidos”, disse Gutiérrez, mencionando “a agressão contra fotógrafos e jornalistas”, como o repórter Nicolás Munafó, do canal C5N, que foi atacado por um agente policial.
A Comissão pela Memória (CPM) esteve presente, como todas as quartas-feiras, na mobilização dos reformados. Numa publicação nas redes sociais, denunciaram que “em frente a um Congresso Nacional completamente cercado e com as forças de segurança federais posicionadas dentro da cerca, os corpos de infantaria e motorizados da Polícia da Cidade lançaram uma caça brutal aos manifestantes nas ruas vizinhas”. “Pelo menos 7 pessoas foram detidas arbitrariamente, arrastadas violentamente e imobilizadas à força no chão, e mais de 30 pessoas ficaram feridas na repressão, entre elas uma criança de 4 anos que estava na praça com a sua família”, afirmaram desde a CPM.
A organização de direitos humanos acrescentou que “o registo da intervenção policial evidencia a sua brutalidade e irracionalidade: reprimiram nas calçadas, dispararam com balas de borracha e lançaram granadas de efeito moral e gases a curta distância, mesmo contra membros das postas de saúde, jornalistas que cobriam a marcha e referências de DD. HH. que controlavam a mobilização policial, entre eles membros da nossa equipa de monitorização”. Pelo menos sete pessoas foram detidas: Agustín Cano, Leandro Maristains, Alejandro Carrizo, Federico Burgos, Francisco Ramos, Hugo Eischler e Javier Mendoza. Também estavam presentes no protesto voluntários do Corpo de Evacuação e Primeiros Socorros (CEPA), que costumam ajudar vítimas da repressão policial. “Atendemos cerca de vinte pessoas, entre elas uma senhora ferida de 55 anos que depois foi levada pelo SAME, e muitos casos de gás pimenta”, disse ao jornal o chefe do CEPA, Esteban Chala. “Nós vínhamos do fim da coluna e vimos que na Avenida de Mayo começou a haver confusão. Quando nos aproximámos, já tinha sido lançado gás pimenta, foi uma sequência rápida”, acrescentou.
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