Venezuela

Venezuela anuncia convocação urgente para a Conferência pela Soberania e pela Paz

A iniciativa visa que a Celac, como organismo regional, facilite um diálogo diplomático para evitar uma escalada de conflitos no Caribe.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, solicitou à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) que convoque os países membros do bloco para uma conferência urgente pela soberania e pela paz regional, após o envio intervencionista de forças militares norte-americanas às águas do Mar do Caribe.

Maduro enviou uma carta ao presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que exerce a presidência pro tempore da organização regional, para coordenar esta reunião de urgência.

“Tomei uma iniciativa e quero anunciá-la: enviei cartas a vários presidentes da América Latina e das Caraíbas para que seja convocada com caráter de urgência uma conferência especial pela soberania e pela paz das Caraíbas, e que a Celac assuma a condução de um intenso processo de conversações e diálogos para fazer valer a declaração da América Latina e das Caraíbas como território de paz”, sublinhou o mandatário durante uma conferência de imprensa.

Os Estados Unidos acusam, sem provas, o presidente venezuelano de ter ligações com uma organização conhecida como o cartel dos Soles, incluída no final de julho numa lista de organizações terroristas globais, juntamente com o extinto Tren de Aragua, o cartel de Sinaloa, o cartel do Nordeste, Carteles Unidos e a MS-13.

Perante esta situação, o Governo da Venezuela denunciou o destacamento militar como uma ameaça e uma ingerência na estabilidade regional. Além disso, Maduro ordenou a mobilização de milicianos e o reforço das fronteiras venezuelanas para contrariar qualquer tentativa de agressão por parte dos Estados Unidos.

A iniciativa de Maduro visa que a Celac, como organismo regional, facilite um diálogo diplomático para evitar uma escalada de conflitos no Caribe.

O presidente venezuelano destacou a importância de preservar a declaração da América Latina e do Caribe como zona de paz, aprovada pela CELAC em 2014. A proposta espera o apoio dos líderes regionais para coordenar esforços que reforcem a soberania dos países latino-americanos e caribenhos face a intervenções externas.

Entre outros temas, no mesmo dia, o presidente bolivariano sublinhou que Caracas sempre apostou no diálogo, mas questionou a falta de coerência da atual administração norte-americana e lamentou a situação. “Eles assim o estabeleceram com as suas ameaças de bombas, mortes e chantagens”, enfatizou.

“Nós não funcionamos assim. Passaram de uma fase de relações de comunicação deterioradas para relações destruídas”, afirmou o chefe de Estado.

“Não pode ser que se diga uma coisa e se faça sempre o contrário, para pior. Nunca com esta Administração há algo de bom, não só para a Venezuela, mas para o mundo inteiro”, declarou Maduro.

O presidente venezuelano foi enfático ao salientar que nenhum país pode confiar plenamente na palavra de Washington: “Digam-me vocês, no mapa-múndi, um país que possa confiar na palavra desta administração. Não existe”, advertiu.

Embora tenha reconhecido que os canais diplomáticos não estão em “zero absoluto”, ele afirmou que se encontram em um estado de profunda degradação. “Não estão em zero, mas estão destruídos”, concluiu.

Ele apreciou que Caracas mantenha “comunicação mínima com o senhor (John) Mc Namara pela libertação dos nossos migrantes, que é uma prioridade altíssima do Estado. Agora eles têm mais de 60 crianças sequestradas nos Estados Unidos, que não nos foram entregues”.

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