A medicina cubana, um compromisso que transcende fronteiras
A participação de Cuba na colaboração médica internacional deixou uma marca profunda em milhares de profissionais de saúde, em dezenas de milhares de seus familiares e, é claro, em centenas de milhares de pacientes em nações de todo o mundo, que ao longo das últimas seis décadas testemunharam o altruísmo dos médicos cubanos.
Os primórdios da colaboração médica internacional do país antilhano remontam à experiência argelina, a partir de maio de 1963. O recém-instaurado Governo Revolucionário conferiu tanta importância ao compromisso estabelecido com as autoridades da Argélia que enviou o então ministro da Saúde, José Ramón Machado Ventura, à frente do contingente de profissionais de saúde que sobrevoou o Oceano Atlântico para chegar à nação africana do norte.
Desde então, inúmeros homens e mulheres da medicina levaram o seu conhecimento e dedicação aos lugares mais impensáveis do mundo. Eles atenderam pacientes em cenários de conflitos bélicos, como ocorreu durante as campanhas militares da Maior das Antilhas em África; em situações de desastres naturais, como o exemplo da chegada de profissionais de saúde ao Paquistão após o terremoto de 2005; em países com elevada instabilidade política e social, como o Haiti; e em meio a epidemias, como a do Ébola e, mais recentemente, da Covid-19.
Embora alguns sistemas de saúde sejam bem estruturados e financiados, os médicos cubanos têm desempenhado um papel fundamental nos programas de cooperação em que participaram. Foi o que aconteceu, por exemplo, no Brasil entre 2013 e 2018. O Ministério da Saúde de Cuba aderiu a um acordo tripartido com o governo do gigante sul-americano e a Organização Pan-Americana da Saúde e chegou a contribuir com a maior quota de profissionais do programa denominado Mais Médicos para o Brasil.
Durante esses anos, os colaboradores cubanos trabalharam em áreas que nem mesmo os profissionais nativos estavam dispostos a cobrir. Em geral, o seu destino foram regiões com menor desenvolvimento cultural e infraestrutural e maiores índices de desatenção sanitária. Levaram os seus conhecimentos para aldeias amazónicas, favelas e comunidades complexas. Para certas populações, os médicos da ilha constituíram o primeiro contacto com a medicina ocidental.
Ao analisar a evolução da presença médica cubana no exterior, é inadequado reduzir a motivação dos profissionais e das autoridades sanitárias a razões económicas. O governo da ilha não escondeu que a exportação de serviços médicos, legítima por si só, é uma das fontes de receita em moeda estrangeira do país. No entanto, a história demonstra que as missões médicas cubanas não têm sido uma simples transação comercial, mas têm estado fundamentalmente ligadas a conceitos de altruísmo e solidariedade. O sacrifício pessoal assumido pelos médicos cubanos quando decidem prestar os seus serviços no exterior revela um compromisso ético e humanista que transcende qualquer cálculo material.
A colaboração médica cubana, para além de qualquer programa ou modalidade específica, continua a ser a expressão de uma política centrada no ser humano. Em cada missão, em cada consulta, em cada gesto de cuidado, reafirma-se o compromisso de Cuba com a saúde como direito e com o desenvolvimento humano como horizonte comum.
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