Antigo funcionário da ONU nega ligações do governo venezuelano ao tráfico de droga
O antigo funcionário da ONU Pino Arlacchi nega as acusações dos EUA de alegadas ligações do governo venezuelano ao tráfico de droga.
O ex-vice-secretário-geral da ONU e ex-director executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Pino Arlacchi, rejeitou categoricamente qualquer relação entre o governo da Venezuela e um suposto cartel de drogas, chamando as acusações de Washington de “fabricação” para fins políticos.
Em entrevista à mídia, Arlacchi disse que não há evidências que liguem o presidente venezuelano Nicolás Maduro ao chamado “Cartel Solado”, uma narrativa promovida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e pelo senador Marco Rubio.
“Essa relação entre o governo venezuelano e um suposto cartel não é conhecida por existir. É uma invenção do presidente Trump, com motivos políticos”, disse Arlacchi.
Ele acrescentou que as acusações procuram desviar a atenção da crise do fentanil nos Estados Unidos, um opióide sintético que causa cerca de 100.000 mortes anualmente naquele país e que, não tem relação com a Venezuela.
“O fentânil é produzido nos EUA e foi inventado por grandes empresas farmacêuticas norte-americanas”, explicou, acrescentando que o mercado de medicamentos dos EUA, com 10 milhões de consumidores nos EUA, não depende de rotas ligadas à Venezuela.
Arlacchi também rejeitou as alegações de Trump sobre embarcações no Caribe que supostamente traficam cocaína e fentanil, chamando-as de “falsas”.
“Nada a ver com a Venezuela”, reiterou, ressaltando que o tráfico de fentanil para os EUA ocorre principalmente por uma “pequena rota terrestre” através da fronteira com o México, operada por cartéis mexicanos.
Ele também chamou de “simplesmente ridículo” ligar o “Cartel dos Sóis” com a gangue criminosa “Trem de Aragua”, esclarecendo que o primeiro não é um cartel, mas “pequenos grupos criminosos de nenhuma importância”.
El ministro de Defensa de #Venezuela 🇻🇪, General en Jefe Vladimir Padrino López, instó al pueblo venezolano a continuar preparándose, insistiendo en que, como líder militar, debe suponer siempre «la peor hipótesis», ante el contexto geopolítico actual.https://t.co/P7yBYRiBps
— teleSUR TV (@teleSURtv) October 8, 2025
O ex-funcionário da ONU, que liderou por 20 anos a preparação do Relatório Mundial sobre Drogas do UNODC, ressaltou que a Venezuela nunca apareceu neste relatório como um país produtor de drogas ou com uma presença significativa de crime organizado relacionado ao tráfico de drogas.
Ele também observou que relatórios da União Europeia, do Departamento de Estado dos EUA e da DEA confirmam que o tráfico de drogas na região passa principalmente pelo Pacífico, de países produtores como Colômbia, Peru e Bolívia, sem envolver a Venezuela.
Em relação ao desdobramento militar dos EUA no Caribe, supostamente para combater o narcotráfico, Arlacchi criticou sua abordagem: “A luta contra as drogas não é feita com instrumentos militares, é feita com a polícia, com inteligência” e com a redução do consumo.
Além disso, ele chamou o “absurdo” de Washington e uma “violação do direito internacional” o bombardeio de embarcações em alto mar. “Destruir um navio sob a suspeita de que ele tem remessas de drogas é completamente absurdo”, disse ele.
Arlacchi também negou as “fantasias” do senador Marco Rubio, dizendo que “não há nenhuma agência antidrogas no mundo que possa confirmar” essas alegações.
Em relação a uma possível intervenção militar na Venezuela, o especialista apontou que “ninguém com dois dedos dianteiros” no governo ou no Pentágono considera essa opção como viável.
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