A China está prestes a tornar-se líder na extração de “ouro branco”.
O país asiático vai ascender ao primeiro lugar entre os mineiros de lítio a nível mundial até 2026, destronando a Austrália, que lidera o sector desde 2017, segundo as previsões de uma empresa de consultoria especializada.
A China vai tornar-se, no próximo ano, líder mundial na produção de lítio, um elemento fundamental no fabrico de baterias para carros eléctricos e vários dispositivos, prevê a consultora Fastmarkets, citada pela Reuters.
A empresa prevê que o gigante asiático vai destronar a Austrália do primeiro lugar no ‘top’ dos mineiros deste metal, ocupado pelo país do sul desde 2017, e vai continuar a aumentar a sua produção até 2035.
Em pormenor, a Fastmarkets prevê que as empresas chinesas extrairão entre 8.000 e 10.000 toneladas métricas de lítio a mais do que as australianas até 2026.
Até 2035, a China deverá extrair 900 000 toneladas métricas de lítio, contra 680 000 toneladas da Austrália, seguida do Chile com 435 000 e da Argentina com 380 000.
A agência refere, com referência a Paul Lusty, chefe da divisão de investigação de matérias-primas para baterias da consultora, que muitos mineiros chineses de lítio não são rentáveis, mas não estão a reduzir o seu volume de produção.
Esta atitude deve-se a vários factores, incluindo o apoio do governo e a sua intenção de preservar a sua quota de mercado num contexto de procura crescente. “Esta produção contínua – apesar da falta de rentabilidade no mercado – começa a fazer muito mais sentido quando todos estes factores são tidos em conta”, afirma.
Neste contexto, a Reuters detalha que o gigante asiático continua a ser líder no domínio da produção de mais de metade dos minerais que o Serviço Geológico dos EUA (USGS) classifica como críticos. “A China tem uma estratégia muito clara para desenvolver os seus recursos minerais”, afirma Lusty.
Porque é que o lítio é importante
O interesse pelo lítio, conhecido como “ouro branco”, aumentou drasticamente nos últimos anos.
Embora seja produzido comercialmente desde 1923 e tenha tido utilizações na medicina, na construção e na indústria em geral, o seu interesse atual reside na sua importância para o fabrico das baterias eléctricas necessárias para os telemóveis, os painéis solares e a electromobilidade (veículos eléctricos), no âmbito da transição energética que procura promover alternativas aos combustíveis fósseis.
O Fórum Económico Mundial estima que a procura de lítio atingirá 3-4 milhões de toneladas até 2030.



