Chile rejeita nomeação de ex-advogados de Pinochet para o gabinete de Kast
Organizações de direitos humanos consideram as nomeações um «retrocesso» e uma afronta às vítimas do regime militar de Pinochet.
Especialistas e organizações vítimas do regime de Augusto Pinochet (1973-1990) questionaram veementemente a nomeação de dois advogados que representaram o ditador como futuros ministros da Justiça e da Defesa no governo de José Antonio Kast, que assumirá a presidência do Chile em 11 de março de 2026.
As nomeações foram classificadas como um «retrocesso» e uma «provocação» em matéria de direitos humanos, segundo denúncias de grupos de familiares de detidos desaparecidos e executados políticos.
Os advogados Fernando Rabat e Fernando Barros foram nomeados para chefiar as pastas da Justiça e Direitos Humanos e da Defesa, respetivamente. Rabat fez parte do escritório Rodríguez, Vergara y Compañía, que defendeu Pinochet no caso Operação Colombo, relacionado com o assassinato de 119 pessoas pela polícia política do regime.
Além disso, participou na defesa do ex-ditador no Caso Riggs, relacionado com a ocultação da sua fortuna nos Estados Unidos. O fundador do escritório de advocacia, Pablo Rodríguez, foi líder da organização paramilitar Patria y Libertad, responsável por atos violentos contra o governo do presidente Salvador Allende.
Por sua vez, Barros integrou a equipa jurídica que representou Pinochet durante a sua detenção em Londres, em 1998. Também atuou como advogado do ex-presidente Sebastián Piñera durante mais de três décadas e faz parte da administração da fortuna familiar do falecido mandatário.
#ENVIDEO | Las recientes elecciones presidenciales en Chile, han dejado un cambio político por la llegada del conservador y demócrata José Antonio Kast al poder, y el regreso del pinochetismo, generando incertidumbre en la población por los cambios radicales que tendrá el nuevo… pic.twitter.com/5lQ7ZO2UQU
— teleSUR TV (@teleSURtv) December 22, 2025
Desde que foi anunciada a possível incorporação de Rabat ao gabinete, 16 grupos de direitos humanos assinaram uma declaração conjunta na qual classificam a decisão como «uma ofensa direta à memória das vítimas da ditadura e aos seus familiares».
Alicia Lira, presidente da Associação de Familiares de Executados Políticos, afirmou que «é um enorme retrocesso para os avanços que tivemos na questão dos direitos humanos» e acrescentou que «as nomeações de Barros e Rabat refletem a sua política negacionista dos direitos humanos».
Flor Lazo, da Associação de Familiares de Detidos e Desaparecidos do Paine, expressou preocupação com o futuro do Plano Nacional de Busca, iniciativa estatal que busca esclarecer o destino de mais de mil pessoas desaparecidas durante a ditadura. “Se o plano de busca for encerrado, nos rebelaremos. Nossa esperança é encontrar todas as vítimas”, declarou.
📌Aquí el actual presidente electo de #Chile 🇨🇱, un joven José Antonio Kast en la campaña por la continuidad del Dictador Augusto Pinochet en 1988. A 37 años, Chile decide volver a ese camino. pic.twitter.com/kgPTPTylVc
— teleSUR TV (@teleSURtv) December 15, 2025
As críticas também atingem a nomeação de Judith Marín, evangélica e opositora do aborto e dos direitos das diversidades sexuais, como ministra da Mulher.
José Antonio Kast, que na sua juventude fez campanha a favor da continuidade de Pinochet no plebiscito de 1988, será o primeiro pinochetista a chegar ao poder desde o retorno à democracia. O seu irmão, Miguel Kast, foi ministro do regime e membro dos Chicago Boys, impulsionadores do modelo neoliberal chileno.
Fonte:



