Cimeira dos BRICS no Brasil reivindica maior relevância para o Sul Global
Rio de Janeiro, Brasil, 7 de Julho (Cuba Soberana) Com uma defesa firme do multilateralismo e a reivindicação de maior representatividade para o Sul Global, os líderes dos 11 países que integram o Brics adotaram hoje a chamada Declaração do Rio de Janeiro.
Divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o texto final da XVII Cimeira do bloco ampliado resume as discussões diplomáticas ao longo do ano e define posições-chave sobre temas internacionais candentes, entre eles, a reforma do sistema de governança global e a busca de uma solução negociada para o conflito palestino-israelita.
Um dos pontos centrais do documento é uma “reforma ampla” das Nações Unidas, com ênfase na modernização do Conselho de Segurança.
O objectivo declarado é torná-la mais democrático, representativo e eficaz, incorporando uma maior participação dos países em desenvolvimento, especialmente da África, América Latina e Caribe.
Em matéria de segurança, os líderes do BRICS reafirmaram o seu compromisso com uma solução de dois Estados para a Palestina e Israel, com base nas fronteiras reconhecidas e no diálogo pacífico.
Classificaram este caminho como “único meio” para alcançar a paz e a estabilidade duradouras e reafirmaram a sua defesa do multilateralismo e do direito internacional.
Por sua vez, no plano económico, destacou-se o impulso ao uso de moedas locais nas transações entre os membros do grupo, bem como o fortalecimento do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD, Banco BRICS) e do Acordo de Reservas Contingentes, ferramentas financeiras próprias do mecanismo.
Em meio à crescente emergência climática, a cimeira ratificou o seu apoio ao fundo denominado Florestas Tropicais Para Sempre, destinado a preservar a biodiversidade e apoiar uma transição ecológica justa, com financiamento climático partilhado.
A declaração destaca o papel dos BRICS como porta-voz das demandas do Sul Global e celebra a recente expansão do bloco de cinco para 11 membros plenos, com a incorporação de países como Egito, Irão, Etiópia e Arábia Saudita.
Propõe aprofundar alianças estratégicas com Estados observadores e países parceiros, ampliando a sua influência nas relações internacionais.
No que diz respeito à inovação tecnológica, os países concordaram em intensificar a cooperação em inteligência artificial, ciência, cibersegurança e infraestrutura digital. Também foram anunciadas novas plataformas conjuntas para fortalecer setores como agricultura, transporte, turismo, educação e juventude.
O manifesto reafirma os Brics, inicialmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, como uma força colectiva que defende uma ordem internacional mais justa, inclusiva e multipolar, que responda aos desafios globais a partir de uma perspectiva cooperativa e não hegemónica.
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