Crise humanitária em Gaza: mais de 115 mortos por fome
Os hospitais de Gaza registam a morte de cerca de 115 pessoas devido à fome, enquanto milhares de camiões da UNRWA, carregados com alimentos e medicamentos, permanecem bloqueados na Jordânia e no Egito.
Os hospitais da Faixa de Gaza registaram a morte de pelo menos 115 pessoas como consequência direta da fome provocada pelo bloqueio israelita.
Esta situação agrava-se e alastra por todo o enclave com o encerramento total das passagens fronteiriças durante 145 dias e a proibição da entrada de leite infantil e ajuda humanitária.
Através de um comunicado emitido nesta quinta-feira, o Gabinete de Imprensa do Governo em Gaza alertou que a população enfrenta uma escassez quase total de alimentos, água e medicamentos.
De acordo com o relatório, são necessários pelo menos 500 mil sacos de farinha por semana para evitar um colapso humanitário irreversível.
Desinformação sobre a ajuda
O Gabinete também desmentiu categoricamente as afirmações divulgadas por activistas fora do enclave sobre o suposto “fim da fome” e a “entrada de centenas de camiões com ajuda”.
Classificou essas versões como falsas e perigosas, apontando que elas se alinham com as narrativas enganosas da ocupação israelita e distorcem deliberadamente a realidade do crime em curso.
#FOCUS | 🚨 HAMBRUNA EN GAZA: PERSONAL HUMANITARIO Y HABITANTES SE DESMAYAN EN MEDIO DE CRIMINAL ASEDIO ISRAELÍ
— Al Mayadeen Español (@almayadeen_es) July 24, 2025
⭕Personal humanitario y los habitantes de Gaza se desmayan por el hambre extrema inducida por "Israel". Los vulnerables (mayoritariamente niños y personas con… pic.twitter.com/jGCntK99yS
Ele exortou a população palestina e a comunidade mundial a não reproduzir rumores que insensibilizam a consciência global e pediu um compromisso colectivo para transmitir a verdade e pôr fim ao sofrimento.
Pediu a todos os países, sem excepção, que rompessem o bloqueio, abrissem permanentemente as passagens fronteiriças e permitissem a entrada de leite infantil e ajuda humanitária para os mais de 2,4 milhões de pessoas que permanecem sitiadas na Faixa.
Seis mil camiões aguardam autorização
A Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA) denunciou que a população de Gaza está a morrer devido à situação de fome extrema.
Condenou que, ao mesmo tempo, milhares de camiões carregados com alimentos e medicamentos permanecem bloqueados na Jordânia e no Egipto, à espera de autorização para entrar no enclave.
🔴 UNWRA A "ISRAEL": ¡ABRAN LAS PUERTAS, LEVANTEN EL ASEDIO!
— Al Mayadeen Español (@almayadeen_es) July 21, 2025
⭕️ En una publicación en X, UNRWA anunció que "tiene suficientes alimentos para toda la población de Gaza", pero reveló que han estado "almacenados en almacenes, incluido en Al Arish, Egipto, a la espera de entrar"… pic.twitter.com/YdX7g9AAQQ
O comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, informou que a agência tem cerca de seis mil camiões nos países vizinhos carregados com ajuda humanitária, mas o bloqueio impede a sua distribuição.
“As lojas a poucos quilómetros estão cheias de comida, enquanto dentro de Gaza as famílias estão a desmoronar-se”, afirmou.
Crianças em risco extremo em Gaza
De acordo com os dados mais recentes da UNRWA, uma em cada cinco crianças sofre de desnutrição apenas na cidade de Gaza, e os casos aumentam a cada dia, acrescentou Lazzarini.
#VIDEO | 🔴 DÍAS SIN COMIDA... LA HAMBRUNA DEVORA A LOS NIÑOS DE GAZA
— Al Mayadeen Español (@almayadeen_es) July 24, 2025
🚨A los bebés se les da algo de agua en lugar de comida, sus cuidadores están atrapados en trampas mortales y la infancia muere ante los ojos del mundo.#Gaza #GenocidioEnGaza #IsraelGenocida #Hambruna… pic.twitter.com/k3rrmO4dCl
Ele destacou que a maioria das crianças atendidas pelas equipas da agência apresenta emaciação e fraqueza, e corre risco de morte se não receber tratamento urgente.
“Esta crise cada vez mais profunda afeta a todos, incluindo aqueles que tentam salvar vidas na Faixa”, alertou Lazzarini.
Colapso do sistema humanitário
O comissário-geral afirmou também que os profissionais de saúde da agência, que estão na linha da frente, vivem com “uma pequena refeição por dia, muitas vezes apenas lentilhas”.
“Eles ficam cada vez mais famintos durante o trabalho”, disse ele. E acrescentou: “Todo o sistema humanitário entra em colapso quando os cuidadores não têm comida suficiente”.
Informou ainda que “os pais têm tanta fome que não conseguem cuidar dos seus filhos”. “Quem chega às clínicas da UNRWA não tem energia, comida nem meios para seguir os conselhos médicos”, afirmou.
“As famílias já não conseguem adaptar-se, estão a desmoronar-se, incapazes de sobreviver… A sua existência está ameaçada”, concluiu.


