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Crise política: Quase 300 detidos em protestos antigovernamentais em massa na França

Estão previstas mais de 700 manifestações com a participação de 100.000 pessoas, que pedem a demissão do presidente Emmanuel Macron e dizem não aos cortes orçamentais.

Em meio a uma grave crise política, o Ministério do Interior da França informou nesta quarta-feira a detenção de cerca de 300 manifestantes durante os protestos antigovernamentais em massa que ocorrem naquele país europeu, convocados sob o lema “Bloquear tudo”.

De acordo com relatos, as mais de 700 mobilizações previstas — com a participação de cerca de 100.000 pessoas — espalharam-se por cidades de todo o país, como Paris, Lyon, Marselha e Rennes, e incluíram bloqueios de vias e a paralisação do transporte e de serviços estratégicos. O Ministério do Interior detalhou a prisão de 295 manifestantes, enquanto as forças de segurança usaram cargas e gás lacrimogéneo para reprimi-los.

Os manifestantes opõem-se ao “plano de austeridade” proposto pelo ex-primeiro-ministro François Bayrou, forçado a renunciar após perder a votação de moção de confiança no Parlamento. Eles também exigem a renúncia do presidente Emmanuel Macron.

Os protestos intensificam-se enquanto o novo chefe do Governo, Sébastien Lecornu, assume funções. Foram relatados confrontos com a polícia, enquanto manifestantes incendiaram um autocarro em Rennes e sabotaram cabos de uma linha férrea perto de Toulouse. Quatro agentes de segurança ficaram feridos.

Mais cedo, o ministro do Interior, Bruno Retailleau, informou sobre o envio de 80 mil policiais. Além disso, ele tentou culpar a esquerda francesa — ou seja, a organização La France Insoumise e outras que integram a coligalão Nouvelle Front Populaire — pela organização dos actos violentos.

Sob o pretexto da situação das contas públicas, Bayrou propôs cortar do orçamento de 2026 cerca de 44 mil milhões de euros (mais de 51 mil milhões de dólares), embora tenha projectado entregar ao Ministério da Defesa 3,5 mil milhões de euros (cerca de 4,1 mil milhões de dólares) devido ao “agravamento da situação” da segurança mundial.

Outra proposta que gerou mal estar foi a de converter dois feriados em dias úteis (entre eles o Dia da Vitória sobre o fascismo, comemorado na Europa a 8 de maio) para reduzir o défice orçamental, num país que anos atrás foi abalado por mobilizações massivas quando Macron impôs a reforma previdenciária e aumentou a idade para da reforma.

Bayrou é o quarto primeiro-ministro em menos de um ano que não ultrapassa os 12 meses no cargo, depois de Elisabeth Borne, Gabriel Attal e Michel Barnier. Apesar do fracasso destes, Macron não encarregou a esquerda francesa, vencedora das eleições legislativas de meados de 2024 — de formar um governo, temendo que ela adoptasse medidas em favor dos trabalhadores e de amplos setores populares, como revogar a reforma previdenciária e tributar as fortunas mais ricas do país ou as transnacionais com maiores lucros.

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