Denunciam 500 mortes nas prisões de El Salvador sob o regime de exceção de Bukele
Segundo um relatório, 90% das vítimas não tinham qualquer ligação a gangues, o que contradiz o argumento oficial de que as detenções se dirigem apenas contra grupos criminosos em El Salvador.
Ao completar-se quatro anos da instauração do regime de excepção em El Salvador, organizações civis e organismos internacionais alertam para o custo humano devastador da estratégia de segurança do presidente Nayib Bukele. Um relatório da organização Socorro Jurídico Humanitário (SJH) revelou que pelo menos 504 pessoas morreram em centros penitenciários sob custódia do Estado salvadorenho entre abril de 2022 e março de 2026.
O relatório destaca um dado alarmante: 90% das vítimas não apresentavam um perfil de pertença a gangues, o que contradiz o argumento oficial de que as detenções em massa se dirigem exclusivamente contra grupos criminosos. A organização alerta que, devido ao sigilo oficial, o número real de mortos poderá ascender a 2.000.
Esta es la otra cara del modelo salvadoreño de seguridad. Ningún sistema de justicia en el mundo es perfecto, pero cuando las autoridades carcelarias incumplen una orden judicial de libertad el sistema no es "imperfecto", está roto.
— Claudia Ortiz (@ClaudiaOrtizSV) March 27, 2026
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This is the other side of El Salvador’s… https://t.co/5YYTIW9HXW
O contexto destas mortes é marcado por denúncias sistemáticas de tortura, superlotação extrema e falta de cuidados médicos nas prisões. Testemunhos de familiares recolhidos pela SJH descrevem corpos entregues com sinais evidentes de violência física.
Este mês, uma comissão de peritos da Organização das Nações Unidas (ONU) intensificou as críticas internacionais ao acusar o Governo salvadorenho de cometer possíveis crimes contra a humanidade, associados à implementação destas medidas extraordinárias que suspenderam as garantias constitucionais de forma ininterrupta.
📹🇸🇻| En El Salvador, movimientos sociales y familiares de víctimas del régimen de excepción se movilizan para protestar contra la medida gubernamental. Denuncian abusos y exigen respeto a los derechos humanos.
— teleSUR TV (@teleSURtv) March 29, 2026
🎙️ #RafaelPreza
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O regime de excepção foi aprovado a 27 de março de 2022 pela Assembleia Legislativa, após um fim de semana em que se registaram mais de 80 homicídios. Investigações jornalísticas locais apontaram que esta onda de violência resultou da ruptura de um pacto anterior entre o Governo de Bukele e as estruturas das maras.
Embora o Executivo comemore uma redução “histórica” dos homicídios e conte com um apoio popular estimado em 85% por ter reduzido a violência graças à sua política, os defensores dos direitos humanos salientam que a diminuição da criminalidade já vinha a ser registada desde 2016, antes da actual administração.
Números da repressão
Até à data, as organizações humanitárias registaram um total de 91 650 detenções ao abrigo do regime de exceção, 6.889 denúncias de violações dos direitos humanos, sendo que 98% dos casos correspondem a detenções arbitrárias, e agentes da Polícia Nacional Civil estão envolvidos em 75% das violações relatadas.
“Há quatro anos que lutamos para que seja feita justiça e para que os inocentes sejam libertados, mas não vemos qualquer resposta; o que vemos por parte do Governo é um silêncio total, ataques e um regime que suprime os direitos humanos e as garantias fundamentais“, declarou Samuel Ramírez, representante do Movimento das Vítimas do Regime.
Apesar das denúncias, o Congresso salvadorenho aprovou a 49.ª prorrogação da medida, garantindo a continuidade de um modelo que, segundo juristas internacionais, está a desmantelar o Estado de direito neste país da América Central.
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