As Avós da Praça de Maio lançam a Rede pela Identidade no Uruguai
A rede procura restituir a identidade dos netos apropriados durante as ditaduras militares da América Latina opera em 40 cidades da Argentina, Espanha, França, Itália, Estados Unidos e Canadá.
O Governo do Uruguai e Avós da Plaza de Mayo lançaram nesta segunda-feira no Teatro Solís, ramo uruguaio da Rede pelo Direito à Identidade, com o objectivo de localizar netos e netas de apropriação desaparecidas durante as ditaduras cívico-militares do Cone Sul.
“No momento, o objectivo da Rede é a divulgação da busca e promoção do direito à identidade”, explicou o Ministério das dos Negócios Estrangeiros do Uruguai em comunicado. A rede fornece “orientação para pessoas que têm dúvidas sobre sua identidade e/ou que desejam fornecer informações sobre possíveis casos de apropriação”.
O evento contou com a presença do presidente Yamandú Orsi, da vice-presidente Carolina Cosse, do ministro dos Negócios Estrangeiros, Mario Lubetkin, de legisladores e personalidades. Macarena Gelman, filha de detidos argentinos desaparecidos e neta do poeta Juan Gelman, participou da apresentação.
Abuelas de Plaza de Mayo @abuelasdifusion presentaron en Uruguay una campaña para buscar nietas y nietos apropiados. Resaltaron el derecho a la identidad y ofrecen orientación y apoyo a las personas que tengan dudas sobre su origen o deseen aportar información. La murga… pic.twitter.com/VaNLWDhrts
— Mateo Grille (@mateoteleSUR) November 4, 2025
“Se você nasceu entre 1975 e 1983, e tem dúvidas sobre sua identidade, pode entrar em contacto connosco e nós o ajermos a iniciar a busca”, publica a subsidiária uruguaia nas redes sociais.
O contacto é rxidentidad.uruguay@gmail.com (mailto:rxidentidad.uruguay@gmail.com).
A rede opera em 40 cidades da Argentina, Espanha, França, Itália, Estados Unidos e Canadá, composta por instituições governamentais, ONGs e voluntários. Colabora com Abuelas de Plaza de Mayo e com o Banco Nacional de Dados Genéticos.
Avós estima que o terrorismo de Estado se apropriou da identidade de cerca de 500 crianças, a maioria nascida em cativeiro durante a ditadura argentina (1976-1983). Mais de 300 pessoas ainda estão por ser encontradas.
No Uruguai, a ditadura (1973-1985) deixou 197 detidos denunciados; até o momento, foram encontrados remanescentes de 33.
Todo dia 20 de maio, a Marcha do Silêncio é realizada no Uruguai por familiares dos desaparecidos que processam as autoridades por respostas sobre o que aconteceu durante os anos da ditadura militar (1973-1985).
Estuve en la actividad de #AbuelasdePlazadeMayo y de la Red por el Derecho a la Identidad, en Montevideo.
— Mario Lubetkin (@MinLubetkinUy) November 3, 2025
Quienes nacieron entre 1973 y 1985 y tienen alguna duda acérquense a ellos.
#LadentidadEsUnDerecho 👇🏽
https://t.co/rdL2K2AuV9 @MacarenaGelman pic.twitter.com/NnF95jfzhR
Este ano a mobilização foi realizada a partir da rua Jackson e da Avenida Rivera, com o destino final Plaza Libertad e foi convocada sob o slogan “30 vezes nunca mais: saiba cumprir. Onde eles estão?”, aludindo à promessa eleitoral do presidente Yamandu Orsi de que seu governo trabalhará pela verdade e pela justiça.
Os manifestantes deixaram claro, durante o percurso, que os crimes da ditadura uruguaia estão presentes na memória dos cidadãos e nas novas gerações, e continuaram suas demandas de justiça pelos crimes cometidos contra a classe trabalhadora e populares naqueles anos.
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