
Milhares de contentores destinados a Cuba estão retidos nas Caraíbas devido ao bloqueio dos EUA.
As remessas retidas contêm mercadorias adquiridas legalmente pelo Governo de Cuba, em conformidade com as normas do comércio internacional, e incluem desde alimentos até medicamentos.
No meio da crise económica e humanitária que Cuba atravessa devido ao reforço do bloqueio dos EUA nos últimos meses, mais de 7 000 contentores destinados à ilha continuam retidos em vários portos das Caraíbas, denunciou esta quarta-feira o vice-primeiro-ministro Oscar Pérez-Oliva Fraga numa sessão da Assembleia Nacional do Poder Popular.
O ministro, que também é responsável pelo Comércio Externo e pelo Investimento Estrangeiro, precisou que as remessas retidas contêm mercadorias adquiridas legalmente pelo Governo cubano, em conformidade com as normas do comércio internacional.
«Estes contentores contêm alimentos, contêm recursos para o nosso programa de transformação da matriz energética e contêm recursos para o programa de abastecimento de água potável de que a nossa população necessita» , afirmou Pérez-Oliva Fraga, recordando que mais de três milhões de cubanos carecem de abastecimento diário de água nas circunstâncias actuais, marcadas por um reforço extremo da política de pressão máxima e asfixia económica, com um bloqueio petrolífero ao qual se juntaram os decretos executivos de Donald Trump que internacionalizam o bloqueio comercial e financeiro a Cuba.
O vice-primeiro-ministro acrescentou que, entre as remessas retidas, também se encontram material médico e medicamentos essenciais para salvar vidas.
Durante a sua intervenção perante o Parlamento, o alto funcionário condenou as ações dos envolvidos no impedimento do transporte da mercadoria. «Gostaria de aproveitar esta ocasião para responsabilizar aqueles que tentam impedir a chegada desta mercadoria, aqueles que permanecem indiferentes, permitindo que este genocídio seja cometido, e aqueles que se submetem aos interesses dos Estados Unidos nesta matéria. Responsabilizá-los pela perda de vidas inocentes», afirmou.
Estados Unidos impide que lleguen a #Cuba 🇨🇺 más de 7 mil contendores con mercancía lícitamente adquirida, entre ellos alimentos, medicamentos y piezas para mejorar el sistema eléctrico nacional.
— Cancillería de Cuba (@CubaMINREX) July 29, 2026
Lo denunció @polivaoscar , vice primer ministro de Cuba en la @AsambleaCuba pic.twitter.com/euuRZC4Rt7
Empresas de navegação cancelam o transporte de carga para Cuba por receio de sanções
Em meados deste mês, a directora-geral de Assuntos Consulares e Apoio aos Cubanos Residentes no Estrangeiro do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Ana Teresita González, informou que dezenas de contentores com material médico continuam retidos na Jamaica, na sequência da suspensão das viagens para a ilha por parte da companhia marítima francesa CMA CGM, que procura evitar ser alvo de sanções por parte dos Estados Unidos, na sequência do decreto presidencial assinado por Donald Trump a 1 de maio, que entrou em vigor em junho.
Num comunicado, a empresa apresentou como únicas alternativas o regresso dos carregamentos ao porto de origem ou a transferência da carga para outra empresa de transporte marítimo, o que gera custos adicionais para os remetentes e, consequentemente, aumentaria os custos para Cuba, além de atrasar a chegada das cargas.
A esta medida juntou-se a companhia marítima alemã Hapag-Lloyd, que anunciou a suspensão dos seus envios para Cuba alegando os riscos de incumprimento decorrentes da mesma ordem executiva assinada por Trump a 1 de maio.
Máxima pressão e represálias colectivas contra Cuba: «genocídio silencioso»
Desde o seu regresso à Casa Branca, em janeiro de 2025, Donald Trump voltou a incluir Cuba na lista de Estados patrocinadores do terrorismo, uma medida para a qual não há fundamentos nem provas, que restringe as transações financeiras internacionais de Cuba, as suas relações com os bancos e o seu acesso ao crédito.
A política da Administração republicana tornou-se mais rigorosa em janeiro de 2026, com uma ordem executiva na qual Trump decretou a ameaça de imposição de direitos alfandegários aos países que fornecessem combustível à nação caribenha. Em consequência do bloqueio petrolífero, apenas um navio com petróleo bruto chegou a um porto cubano: o russo Anatoly Kolodkin, em março. Circularam vários relatos a descrever como os petroleiros que se dirigiam para a ilha mudavam de rumo antes de chegar às suas águas, o que revela as pressões sobre as companhias marítimas e o receio de sanções e perseguição por parte dos Estados Unidos.
O bloqueio petrolífero está a provocar uma paralisação económica e agravou a crise energética, com longos cortes de energia, escassez de electricidade e combustível que afectam o sector residencial, o sector produtivo, os serviços de saúde e os hospitais, os transportes, a educação e o abastecimento de água, entre outras áreas críticas, e está a provocar uma crise humanitária em Cuba. Cada vez mais vozes concordam em chamá-la de «genocídio silencioso».
O bloqueio petrolífero tem-se aliado a uma onda de medidas coercivas que reforçam o bloqueio financeiro e comercial, sancionando não só entidades e organizações cubanas, mas também ameaçando com sanções as empresas estrangeiras que mantenham relações com a ilha.
A onda de medidas coercivas abrange sectores estratégicos como o turismo, a energia, as finanças, o envio de remessas e os serviços de saúde, além de pressões diplomáticas contra as missões médicas.
A este bloqueio junta-se a constante ameaça de intervenção militar contra a ilha, uma cação denunciada pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Carlos R. Fernández de Cossío, que acusou a rede CBS de «bater os tambores da guerra» e de agir como porta-voz não oficial do Governo dos EUA, ao demonstrar uma parcialidade cúmplice face a recentes notícias sobre estrategas militares norte-americanos que avaliam opções de agressão contra Cuba.
Pode partilhar esta história nas redes sociais:
Fonte:


