MundoUcrânia

O que está por detrás do escândalo de corrupção que envolve um colaborador próximo de Zelenski e que está a agitar a Ucrânia?

Alexei Chernyshov pode ser condenado a uma pena de prisão até 12 anos e, embora não se acredite que tal aconteça, dada a sua proximidade com Zelenski, presume-se que o político possa vir a ser destituído do cargo.

A Ucrânia está a ser abalada por um novo escândalo de corrupção que envolve o Ministro da Unidade Nacional e Vice-Primeiro-Ministro Alexei Chernyshov, que, segundo foi revelado no mês passado, fugiu do país com os seus familiares no meio de uma investigação em curso sobre o caso.

Em 13 de junho, o Gabinete Nacional Anticorrupção (NABU) e a Procuradoria Especializada Anticorrupção (SAP) anunciaram que tinham descoberto um esquema de corrupção no sector da construção que envolvia altos funcionários do governo e possíveis danos no valor de mil milhões de grivnas (cerca de 24 milhões de dólares).

A operação para obter ilegalmente um terreno em Kiev para a construção de um complexo residencial por um preço mais baixo terá sido efectuada por Chernyshov através de terceiros. O ministro está ligado ao líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, e à sua “carteira”, Timur Mindich, coproprietário do estúdio de comédia ucraniano Kvartal 95, fundado pelo líder ucraniano, que também abandonou recentemente o país.

Os meios de comunicação ucranianos recordam que Chernyshov foi o único membro do Conselho de Ministros a assistir à celebração do aniversário de Zelensky em 2021, que teve lugar no apartamento de Mindich, enquanto as restrições de quarentena ainda estavam em vigor.

As autoridades responsáveis pela investigação também nomearam cinco suspeitos, incluindo dois ligados a Chernyshov, o seu antigo conselheiro Maxim Gorbatiuk e o antigo secretário de Estado do Ministério do Desenvolvimento das Comunidades e dos Territórios, Vasily Volodin. Relativamente a este último, o Supremo Tribunal Anticorrupção decretou 60 dias de prisão preventiva.

Sequência dos factos

No ano passado, quando Chernyshov terá sabido que a NABU tinha obtido autorização judicial para revistar a casa do vice-primeiro-ministro, contactou secretamente o director da agência, Semyon Krivonos, cuja influência terá impedido os agentes de revistar a casa do político.

A 10 de junho, alguns dias antes de as autoridades ucranianas publicarem os resultados da sua investigação, o Vice-Primeiro-Ministro deslocou-se em viagem de negócios à República Checa, tendo-se depois deslocado a Viena, o que acabou por se revelar uma viagem não programada e não planeada. Na mesma semana, Maxim Gorbatiuk dirigiu-se à fronteira polaca, onde foi detido.

Por sua vez, o Ministro da Unidade Nacional regressou à Ucrânia em 22 de junho e, no dia seguinte, dirigiu-se à NABU, onde foi informado da suspeita de abuso de poder e de recebimento de benefícios indevidos num montante particularmente elevado para si próprio e para terceiros. Contudo, em 27 de junho, o Tribunal Superior Anticorrupção da Ucrânia (VAKS) optou por uma medida de coação sob a forma de fiança no montante de 120 milhões de grivnas (2,9 milhões de dólares) sem prisão preventiva.

Além disso, de acordo com a decisão do tribunal, o suspeito deve responder a todas as convocatórias de um detective, procurador ou tribunal, bem como comunicar quaisquer alterações no seu local de residência ou de trabalho e não deixar o território da Ucrânia sem autorização. O prazo fixado para o cumprimento das obrigações impostas a Chernyshov é de dois meses, ou seja, até 27 de agosto.

Contudo, em 7 de julho, os procuradores do SAP apresentaram um recurso à Câmara de Recurso do VAKS contra a decisão da primeira instância. Anteriormente, o seu pedido de afastamento do suspeito tinha sido rejeitado. A audiência do tribunal sobre a medida cautelar está agendada para 7 de agosto.

Cenário possível

De acordo com os meios de comunicação ucranianos, o ministro poderá ser condenado a 12 anos de prisão se a NABU e o SAP levarem o caso até ao fim. Embora não se acredite num tal cenário, dada a proximidade de Chernyshov com a família de Zelenski, os meios de comunicação social sugerem que o político poderá vir a ser afastado do cargo no âmbito de uma remodelação do governo ucraniano planeada pelo líder em Kiev.

Neste contexto, presume-se que o Ministério da Unidade Nacional poderá mesmo ser liquidado, uma vez que foi criado para empregar Chernyshov no governo e para tentar melhorar o trabalho com os ucranianos que se deslocaram ao estrangeiro em caso de eleições.

No entanto, como não estão previstas eleições e o nível de apoio a Zelenski no estrangeiro não corresponde às expectativas, o interesse por esta questão diminuiu.

Assim, Chernyshov, tal como muitos outros ministros, irá simplesmente “perder-se entre os dois gabinetes sem atrair muita atenção e não aparecerá no novo”, presumem os investigadores ucranianos.

  • De 2020 a 2022, Chernyshov foi Ministro das Comunidades e do Desenvolvimento Territorial da Ucrânia.
  • De 2022 a 2024, foi director executivo da empresa estatal ucraniana de energia Naftogaz.
  • No final de 2024, foi nomeado Ministro da Unidade Nacional e Vice-Primeiro-Ministro da Ucrânia. Segundo informadores da imprensa ucraniana, nas primeiras semanas após a sua nomeação, em dezembro de 2024, Chernyshov não sabia o que era suposto fazer no novo Ministério da Unidade Nacional, exceto encontrar-se com refugiados ucranianos.

Fonte:

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

A cobertura mediática sobre Cuba e a América Latina é dominada por um só lado. Nós mostramos o outro. Receba análises geopolíticas que fogem do mainstream ocidental.

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para obter mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *