Pedro Pastor, cantor e compositor espanhol: Cuba não cabe numa palavra
Havana, 29 de Setembro (Cuba Soberana) O cantor e compositor espanhol Pedro Pastor está em Cuba onde deu um concerto de encerramento do IV Encontro de Improvisação poética Oralitura Habana, na instituição cultural Casa das Américas, em Havana.
Embora o artista tenha actuado para nós em 2020, no âmbito do Festival Longina, na província de Villa Clara, disse em exclusivo à Prensa Latina que desta vez é diferente e que se sente muito grato e entusiasmado por partilhar a sua música com os cubanos.
Na primeira vez vim para convencer ou conquistar; agora tenho um público à minha espera, e para um autor isso é sempre um privilégio e um presente, disse.
Recordou que, nessa ocasião, chegou com toda a banda e ficou um mês, durante o qual visitaram, conheceram, descobriram e estudaram. “Acho que lançámos uma bela semente.
Deixaram a sua música aqui e, ao longo dos anos, isso gerou uma espécie de expectativa entre as pessoas, que lhe fizeram saber através das redes sociais que estavam à espera deles, disse.
“Eu queria muito voltar e para mim é uma honra cantar neste festival”, pois ele declara-se um amante da décima, com várias canções escritas nesta forma métrica.
O recital vai ser muito bonito e vou também tentar cantar as canções que tenho em décima para as enquadrar no evento, que tornou o espaço possível, acrescentou.
– O que é que significa para si tocar em Cuba?
– Como admirador e criador, para quem a palavra é a parte mais fundamental da canção, mais ainda do que a música, é uma honra vir ao templo da poesia.
Claro que vir ao país de Silvio (Rodríguez), “que sempre foi para mim o expoente máximo e que me deu o presente de uma colaboração há alguns meses, é um sonho tornado realidade”.
O jovem artista considerou muito interessante e importante visitar esta terra, não só para cantar, mas também para ouvir.
“Nós, os viajantes da música, temos de estar atentos e alerta para continuar a encher essa mochila com melodias, cores e novos textos que inspirem a nossa música”.
– Qual é a sua opinião sobre o evento Oralitura Habana?
– É muito interessante, porque tradições como esta da improvisação em décima em Cuba ocupam um lugar muito importante, um dos mais importantes em todo o continente americano”.
Acho que é muito bom tentar trazer as novas gerações para a conhecerem. Uma das tradições mais fortes da cultura cubana tem a ver com a improvisação e é importante que estes espaços se realizem e mostrem que ela continua mais viva do que nunca, afirmou.
– Numa palavra ou frase, como definiria Cuba?
– Cuba não cabe numa palavra, é uma idiossincrasia única no mundo, com todas as suas luzes e todas as suas sombras.
É uma conversa de uma noite inteira num copo de vinho para compreender e desvendar essas luzes e sombras, as dificuldades, a resiliência e a cultura, acrescentou.
Cuba está a atravessar um momento muito delicado, disse o jovem artista, com a certeza de dar ao público um belo concerto esta noite, preenchido com “a minha música, as minhas palavras, a minha dança e a minha poesia”.
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