Peru: Docentes de universidades públicas em todo o país aderem a greve por tempo indeterminado
A greve, convocada pela Federação Nacional dos Docentes Universitários do Peru (FENDUP), seria justificada pelo prolongado incumprimento dos seus direitos, pela falta de progressos nas negociações e pelos cortes orçamentais.
Desde 3 de novembro, centenas de professores universitários de diferentes regiões do país vêm acompanhando uma greve indefinida. A medida foi convocada pela Federação Nacional de Professores Universitários do Peru (FENDUP), depois de apontar que o Estado negligencia há décadas suas principais demandas e esgotado as instâncias de diálogo. Em declarações à República, o presidente da guilda, Óscar Sudario, explicou que a paralisia responde à constante quebra de regulamentos vigentes, cortes orçamentários e à promoção de propostas – como a RIMSU – que, diz, colocam em risco os direitos trabalhistas do magistério universitário.
A medida foi declarada inevitável após sessões de negociação sem progresso concreto com o Ministério da Educação, o Ministério da Economia e Finanças e o Congresso da República. “Tivemos mais de 20 sessões de trabalho … e nossas reivindicações não foram abordadas. Temos ficado sem paciência”, admitiu o dirigente sindical. Ao mesmo tempo, a plataforma de combate da guilda inclui sete pontos-chave que vão desde a aprovação salarial até a reintegração de chefes de prática e a modificação de artigos da Lei Universitária.

Aulas suspensas em universidades nacionais
As medidas de força já foram cumpridas por várias estúdios públicos em todo o país. Entre eles, a Universidade Nacional de San Luis Gonzaga de Ica (UNICA – Ica), a Universidade Nacional Santiago Antúnez de Mayolo (UNASAM – Áncash), a Universidade Nacional de San Cristóbal de Huamanga (UNSCH – Ayacucho), a Universidade Nacional de Piura (UNP – Trujillo) e a Universidade Agraria de La Molina (UNALM). Segundo o FENDUP, eles atualmente adicionariam cerca de 25 universidades afiliadas ao desemprego, um número que continua a crescer.
O sindicato afirma que só retomará as suas actividades académicas normais quando o Executivo e o Congresso se sentarem para dialogar com compromissos concretos em mãos. Sudario afirmou: “A greve continuará… esperamos que as autoridades tomem consciência”. Perante essa expectativa, tanto o sector educacional quanto o legislativo estão sob pressão para apresentar respostas em nível estrutural.
É importante mencionar que, em julho de 2024, foi promulgada uma lei que incorpora os artigos 96-A, 96-B e 96-C à Lei Universitária, os quais reconhecem o direito ao CTS, subsídios por anos de serviço e subsídio por luto e funeral para professores universitários. Apesar disso, a FENDUP insiste que a homologação e outras reivindicações continuam pendentes, pelo que consideram que as medidas adotadas até agora não satisfazem a sua plataforma.

O que os professores exigem do Estado?
Homologação salarial e cumprimento do artigo 96
Uma das reivindicações mais centrais da greve é a exigência do cumprimento do artigo 96 da Lei Universitária n.º 30220, que dispõe que “as remunerações dos docentes da universidade pública são homologadas com as remunerações correspondentes aos magistrados do Poder Judiciário”.
Apesar desta norma, os professores denunciam que há décadas que a equiparação salarial a que têm direito não se concretiza. Neste sentido, o sindicato também questiona o facto de o Governo ter transferido um orçamento insuficiente para cumprir esta homologação, o que agrava a diferença salarial em relação a outros setores do Estado.
Rejeição ao RIMSU e promoções bloqueadas
Outro ponto crítico é a oposição ao RIMSU, um sistema de remuneração que, segundo os professores, implicaria uma redução dissimulada e maior precariedade: «Com o RIMSU, vamos todos descer para o primeiro nível e, a partir daí, teremos de passar por um concurso para sermos promovidos», afirmou o presidente da FENDUP. Nesse cenário, o corpo docente universitário seria obrigado a submeter-se a exames e passar por um processo de promoção muito restrito, como já aconteceu no magistério.
Orçamento, promoções e chefes de prática
A plataforma também exige um aumento dos salários para os anos de 2025 e 2026, a reintegração imediata dos chefes de prática à carreira docente universitária e a modificação dos artigos 79, 83, 84 e 132 da Lei Universitária para garantir cargos administrativos e promoção docente. Segundo Sudario, muitos professores ficam congelados durante décadas na sua categoria, o que gera uma sensação de estagnação profissional. «Estamos a lutar para que esta promoção dos docentes seja imediata. Pelo menos desta vez», afirmou o líder.
Além disso, denunciam um défice orçamental, de infraestruturas e de tecnologia nas universidades públicas, o que, na sua opinião, impede a formação de profissionais de acordo com as exigências dos padrões internacionais. «Queremos formar profissionais… Não temos os equipamentos modernos que têm as universidades europeias, asiáticas, norte-americanas», precisou o dirigente Sudario.

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