Petro critica as taxas do Banco da República: “É uma manobra eleitoral e não tem fundamento científico”
O presidente colombiano juntou-se a uma enxurrada de críticas contra a direção da emissora, acusando-a de servir os interesses do "duquismo»"
Numa das suas declarações mais contundentes contra o sistema económico do país, o presidente colombiano, Gustavo Petro, apoiou uma carta assinada por centenas de académicos e economistas que questionam a política monetária do Banco da República (Banrep).
O presidente classificou as recentes decisões sobre as taxas de juro como a «pior gafe da história nacional».
Petro não só atacou a direcção do banco, como também chamou de «fanáticos do neoliberalismo» os ex-reitores da Universidade dos Andes e da Universidade Nacional, referindo-se especificamente a figuras como os ex-ministros Ocampo, Gaviria e Rudolf, a quem acusou de estarem ao serviço da «extrema-direita».
Questões relativas à independência do emitente
O ponto central do ataque de Petro foi a alegada perda de independência do conselho de administração. Segundo o chefe de Estado, o Banco da República não age com base em critérios científicos, mas sim de acordo com uma agenda política herdada do governo anterior.
«O conselho de administração do Banco da República perdeu a independência (…) a maioria dos membros do conselho desrespeitou o disposto na Constituição de 1991, que prevê a coordenação com o Governo. Subjugou-o com a sua decisão irresponsável», afirmou o presidente.
Aquí respondemos a la carta de los Ocampo, Rudolf y Gaviria, ex rectores de la universidad de los Andes, 800ava universidad en el mundo junto con la universidad pública Nacional, alucinados en el neoliberalismo, incluida la Nacional, cuya facultad de economía dejó de pensar…
— Gustavo Petro (@petrogustavo) April 3, 2026
Desta forma, foi além ao apontar conflitos de interesses diretos, referindo que a presença da filha da ex-ministra Alicia Arango no conselho (nomeada pelo ex-presidente Duque) associa as decisões do banco à campanha eleitoral da oposição, especificamente da candidata Paloma Valencia.
Para o presidente, manter as taxas elevadas enquanto a Reserva Federal dos EUA (FED) as mantém inalteradas é um «absurdo» que apenas beneficia os detentores de dívida pública à custa do trabalho das famílias colombianas.
La tasa de interés de política monetaria sube a 11,25%.
— Banco República 🇨🇴 (@BancoRepublica) March 31, 2026
La decisión adoptada por la mayoría de los miembros de la #JuntaBanRep está encaminada a que la inflación retome una senda decreciente.
En su discusión de política, la Junta tuvo en cuenta los siguientes elementos 👇 pic.twitter.com/L9jWCAF10P
Petro definiu a economia nacional como uma «aliança estúpida» entre sectores rentistas e economistas neoliberais, salientando que é essa estrutura que mantém a Colômbia como um dos países mais desiguais do mundo.
Rumo a uma «Assembleia Constituinte do Povo»
O presidente sugeriu que este impasse institucional entre o Banco e o Governo deve servir de ponto de partida para um debate aprofundado que, na sua opinião, «deve culminar numa assembleia constituinte do povo».
Por fim, o presidente enviou uma mensagem desafiadora ao establishment, garantindo que não se deixará «chantagear» com a situação jurídica do seu filho se o objectivo subjacente for a destruição do acordo de paz e do mandato popular que o levou à Casa de Nariño em 2022.
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