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Sheinbaum defende a soberania do México face à ingerência estrangeira

A presidente Claudia Sheinbaum defende a proibição da dupla nacionalidade em cargos executivos, a fim de garantir a soberania do México.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum Pardo, afirmou que o chefe do Poder Executivo a nível federal e os governadores estaduais devem ter exclusivamente a nacionalidade mexicana para evitar conflitos de interesses e ingerências de potências estrangeiras.

No âmbito do debate sobre uma iniciativa apresentada ao Congresso, a chefe de Estado afirmou que, em tempos de pressões externas, não se pode subordinar a condução do país a compromissos com outros Estados. Salientou que as autoridades só devem lealdade ao povo do México.

A iniciativa, debatida nas comissões da Câmara dos Deputados, visa proibir a dupla nacionalidade para quem se candidate à Presidência ou ao cargo de governador de um estado. Sheinbaum salientou que, ao adquirir outra cidadania, presta-se juramento a uma bandeira ou a uma chefia de Estado estrangeira, o que compromete a soberania nacional.

Esclareceu que esta medida não afecta a recepção de investimentos estrangeiros, que continuam a ser bem-vindos, desde que se enquadrem no quadro constitucional e legal do país. A chefe de Estado sublinhou a posição geopolítica do México, destacando a sua riqueza em recursos naturais e a dignidade do seu povo face aos interesses históricos das potências.

Reiterou que o Governo colabora a nível internacional, mas rejeita qualquer tipo de intromissão ou subordinação na política interna. Adiantou que, no seu discurso de 16 de setembro, abordará a história das intervenções estrangeiras no território.

Além disso, a Presidente manifestou-se a favor da liberdade de expressão dos estrangeiros no país e considerou desactualizada a aplicação do artigo 33.º da Constituição relactivo às expulsões por motivos políticos.

Recordou figuras históricas como Francisco Javier Mina —(1789-1817), militar e guerrilheiro natural de Navarra, Espanha, que teve uma participação notável na guerra da independência mexicana— para ilustrar o apoio solidário internacional, distinguindo-o das tentativas de dominação que violam a autodeterminação e o princípio da soberania popular da nação azteca.

Há alguns dias, Sheinbaum apresentou o relatório relactivo aos primeiros dois anos do seu mandato e destacou as conquistas socioeconómicas do Governo face a um panorama financeiro internacional complexo e às crescentes pressões de Washington.

A chefe de Estado salientou que a governação do país se rege pelos princípios do Humanismo Mexicano e da Economia Moral, dando prioridade à austeridade republicana com uma redução de 10 por cento nas despesas correntes e um aumento real da receita fiscal de 4,8 por cento, sem recorrer ao aumento de impostos.

No plano geopolítico, reafirmou a soberania nacional ao rejeitar firmemente os pedidos de extradição apresentados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra dez cidadãos mexicanos, entre os quais se contam um governador, um presidente de câmara e um senador em exercício. O pedido da Casa Branca foi formulado sem que fossem apresentadas publicamente quaisquer provas.

Sheinbaum questionou a validade destas medidas extraterritoriais e alertou para as pretensões externas destinadas a condicionar a política interna mexicana face ao cenário eleitoral de 2027.

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