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Sob o governo de Milei, o salário real dos funcionários públicos cai 33%

Os trabalhadores do sector público foram os mais afectados pela perda de poder aquisitivo, encerrando o ano de 2025 com uma queda de mais de 30% nos seus salários em comparação com o final de 2023.

Após dois anos de gestão do governo de Javier Milei, a Argentina continua a apresentar uma deterioração no poder de compra, onde os funcionários públicos nacionais tiveram uma queda real de 33% nos seus salários.

Os trabalhadores do sector público nacional foram os mais afectados pela perda de poder aquisitivo, encerrando o ano de 2025 com uma queda de mais de 30% nos seus salários em comparação com o final de 2023. Os funcionários provinciais, embora em menor grau, também enfrentaram uma deterioração significativa de 6,5% no mesmo período, evidenciando uma profunda crise na remuneração estatal.

No sector privado formal, o panorama foi apenas um pouco menos desanimador. Os assalariados registados terminaram o ano de 2025 com um rendimento real praticamente estagnado nos níveis do final de 2023, o que implica uma perda anual de 1,5%. Este congelamento efectivo dos salários contrasta dramaticamente com a escalada contínua dos preços, ou seja, a inflação.

Um dos factores de maior pressão para a classe média e os sectores populares tem sido a explosão dos custos da habitação e dos serviços básicos.

A revogação da Lei dos Alugueres provocou um aumento imediato, a ponto de o aluguer chegar a absorver até 73% de um salário médio em meados de 2024, estabilizando-se depois em um nível ainda crítico de 45%, muito superior às médias históricas.

As tarifas de gás e electricidade na AMBA atingiram níveis recordes, com a combinação de bilhetes e combustível, denominada «cesta de mobilidade», que atingiu um recorde em relação ao salário.

O governo de Milei fez com que o poder de compra de alimentos essenciais como carne, laticínios e café diminuísse: com um salário médio, hoje é possível comprar quase 30% menos café e 13,7% menos carne do que antes da mudança de governo.

De acordo com o jornal argentino Tiempo, o acesso a farinha, massa, arroz e açúcar aumentou significativamente, em alguns casos ultrapassando 120%; esse fenómeno aponta para uma substituição regressiva por uma cesta mais acessível, mas de menor qualidade nutricional, com consequências sociais e sanitárias a médio prazo.

Os reformados que recebem apenas o salário básico aparentemente tiveram uma melhoria de 9,3% no final de 2025. No entanto, aqueles que recebem o salário mínimo com um bónus complementar sofreram uma perda de 7,5%, evidenciando a inconsistência das políticas de assistência.

Nesse sentido, a Marcha dos Reformados não deixou de ser realizada todas as quartas-feiras em defesa dos direitos. Mobilizações que também foram reprimidas.

Fonte:

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