Rebeldia e dignidade
A qualidade mais admirável e definidora do povo cubano é, sem dúvida, a resistência inabalável e a rebeldia esculpidas na dignidade. Não se trata de uma resistência passiva, de um simples aguentar, mas de uma força activa, criativa e profundamente colectiva que se tornou o núcleo da sua identidade nacional.
Esta qualidade encontrou o seu teste de fogo e o seu símbolo mais cru no bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelo Governo dos Estados Unidos durante mais de seis décadas.
Intensificado nos momentos mais críticos – aproveitando-se de desastres naturais ou de uma pandemia global –, o bloqueio tentou transformar cada medicamento em falta, cada peça de reposição inacessível e cada limitação material num argumento a favor da rendição.
No entanto, contra todas as previsões, a ilha irredenta e o seu povo responderam com uma dignidade colectiva monumental. A sua resistência é um mosaico de gestos quotidianos e heroicos: é o médico que inova com recursos limitados, o professor que dá aulas sem livros novos, o engenheiro que resgata maquinaria obsoleta, a família que partilha o pouco que tem no bairro.
É uma resistência que cria, inventa, resolve e constrói, mesmo sob o peso sufocante de uma pressão externa destinada a impedi-la.
Essa rebeldia tem raízes históricas profundas. É a mesma que se levantou nas lutas independentistas contra o colonialismo espanhol e que se reafirmou diante de ditaduras e dominações. O que a Revolução de 1959 fez foi democratizar esse espírito rebelde, transformá-lo em património de toda a nação e dotá-lo de um projeto comum de justiça social e soberania.
Por isso, resistir ao bloqueio não é apenas um acto de sobrevivência; é um acto político de reafirmação. É a decisão colectiva de que o preço da dignidade, por mais alto que seja, sempre será preferível ao custo da submissão.
A resistência cubana, portanto, é duplamente admirável: primeiro, pela sua perseverança épica diante de uma potência hegemónica que empregou todo o seu poder para a fragmentar. E, segundo, pelo seu carcter ético de cultivar uma solidariedade internacional sem fronteiras, enviando médicos e professores aos confins do mundo.
É inegável a capacidade do povo cubano de transformar o cerco em fortaleza, a pressão em princípio e o desafio existencial num motivo perene de orgulho e coesão.
A sua resistência não é uma parede estática, mas um dique vivo, feito da coragem e da inteligência de milhões de pessoas que, durante quase 70 anos, afirmaram que a soberania, a dignidade e o direito de construir o próprio destino demonstram que a maior força não reside no poder de infligir danos, mas na vontade indomável de uma nação que se recusa a deixar de sonhar e de lutar pela sua verdadeira liberdade.
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