A Argentina recusa a entrada no país a Thiago Ávila, coordenador da Global Sumud Flotilla
Thiago chegou do Uruguai à Argentina na manhã desta terça-feira para apresentar a delegação da Flotilha que partirá em meados de abril com destino à Faixa de Gaza.
O Governo de Javier Milei na Argentina recusou a entrada no país do activista brasileiro Thiago Ávila, que viajou para o país sul-americano para o lançamento da secção local da coligação Global Sumud Flotilla, antes da partida de activistas humanitários rumo à Faixa de Gaza, com o objetivo de denunciar o genocídio perpetrado por Israel e quebrar o bloqueio que pesa sobre o enclave palestiniano.
Ávila, que viajou recentemente para Cuba no comboio «Nuestra América» foi detido no Panamá após a sua chegada a Havana, foi detido e mantido em isolamento pelas autoridades aeroportuárias e de imigração argentinas, as quais deixaram claro que a proibição de entrada não se deve a motivos administrativos, mas sim a uma decisão política que emana das mais altas esferas governamentais.
Em declarações à imprensa argentina, Lara, a esposa do ativista brasileiro, afirmou: «O agente disse-nos que eu e a nossa filha podíamos passar, mas o Thiago não poderia porque havia um alerta sobre ele». Acrescentou que o seu companheiro foi conduzido para uma sala de interrogatório e que, por fim, lhe foi dada a possibilidade de comprar um voo para Barcelona, com partida na quarta-feira de manhã.
Juan Grabois, deputado da organização Fuerza Patria, denunciou a detenção ilegal de Ávila. «Juntamente com Greta Thunberg, Thiago coordena a Flotilha Global Sumud, uma iniciativa global que leva ajuda humanitária ao martirizado povo palestiniano. Ele veio divulgar as suas ideias à Argentina, que supostamente é um país do mundo livre, não é? No entanto, o governo fantoche não aceita dissidentes que afetem os interesses dos seus amigos criminosos de guerra, como Netanyahu e Trump. Exigimos a libertação imediata de Thiago”, escreveu o dirigente peronista.
Entretanto, a Global Sumud Argentina classificou o acontecimento como algo sem precedentes na Argentina e salientou que «não só constitui um grave caso de censura e viola os direitos e garantias políticas mais elementares, como também confirma o caráter antinacional do governo liberal-libertário, e o seu sequestro por parte dos interesses geopolíticos dos Estados Unidos e do Estado de Israel”.
Fonte:
Thiago Ávila será deportado y no podrá hablar publicamente en Argentina por una decisión del “más alto nivel en el país”.
— Nacho Lemus (@LemusteleSUR) March 31, 2026
Hay una Conferencia de @ATEBuenosAires convocada para las 15hs en Buenos Aires. https://t.co/E62Mp7bm0s pic.twitter.com/YgWNSkkFuC
Por seu lado, a deputada argentina, Myriam Bregman, salientou: «As próprias autoridades reconhecem que não existe qualquer impedimento administrativo: trata-se de uma decisão política. Esta situação viola toda a legislação em vigor e atenta contra garantias constitucionais básicas, como a liberdade de expressão, de circulação e de reunião». A líder da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores acrescentou: «Estamos perante um grave caso de perseguição e censura, e um precedente antidemocrático: utilizar o controlo migratório para perseguir ativistas e obstruir a organização política. Exigimos a sua entrada imediata, o pleno respeito pelos seus direitos e o fim desta violação».
Thiago chegou do Uruguai à Argentina na manhã desta terça-feira para apresentar a delegação da Flotilha que partirá em meados de abril com destino à Faixa de Gaza.
Na sede da Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE), o ativista brasileiro participaria de um debate, onde seria apresentada a próxima missão internacional que prevê o envio de mais de 100 embarcações com ajuda humanitária com destino a Gaza, além de uma caravana terrestre pelo norte de África.


