Artigos de OpiniãoPaulo Da Silva

Os Faróis na Tempestade

Louvor aos Combatentes Anónimos da Guerra Cognitiva

Eles não pedem palco. Não exigem lugar na fotografia. A sua trincheira é um ecrã. A sua arma é a palavra. E o seu horário, camarada, é aquele que o mundo desperdiça.

Há uma guerra que não se vê. Não explode. Não sangra. Mas corrói. É a guerra das ideias, das narrativas, da verdade contra a mentira. E nessa guerra, camarada, há soldados que não usam farda, não empunham armas, não ocupam manchetes. Usam teclados. Empunham palavras. Ocupam a madrugada.

São os que, quando o cansaço aperta e o sono pesa, ainda encontram forças para traduzir um artigo, partilhar uma notícia, desmontar uma mentira. São os que, enquanto o mundo se deita, se sentam diante do ecrã. E ali ficam. Horas. Até que os olhos ardam. Até que a voz se desgaste. Até que a verdade, mais uma vez, prevaleça.

Não lhes perguntes o nome. A maioria, não o saberás. Não lhes peças fotografias. Não as publicam. Não lhes exijas palco. Não o querem.

Querem, isso sim, que a luta continue. Que a informação chegue. Que o bloqueio a Cuba seja denunciado. Que os que resistem, na ilha e em todo o mundo, saibam que não estão sós.


 Os que não dormem

Conheço-os. Tu também os conheces, camarada.

São mulheres e homens, jovens e velhos, anónimos na multidão. Vivem em países diferentes, falam línguas diferentes, enfrentam realidades diferentes. Mas há algo que nos une: a recusa em desligar.

Enquanto o mundo dorme, eles velam.
Enquanto o silêncio reina, eles escrevem.
Enquanto o império fabrica consensos, eles desmontam mentiras.

E fazem-no sem esperar aplausos. Sem pedir reconhecimento. Sem nunca desistir.

A alguns, o cansaço tira-lhes o sono. A outros, a madrugada é a única hora de silêncio para trabalhar. A muitos, a saúde já cobrou o preço. Mas ali continuam. Como sentinelas que sabem que, se fecharem os olhos, a mentira pode avançar.


O exército invisível

Não são heróis. Não querem ser. São pessoas comuns que, um dia, perceberam que a verdade precisa de quem a defenda. E que, nessa defesa, não há horas, não há folgas, não há tréguas.

O que fazem é simples, na aparência: traduzem, partilham, comentam, denunciam. Mas o que fazem, na essência, é gigante: mantêm acesa uma chama que o império quer apagar.

E fazem-no no silêncio. No anonimato. No cansaço.

A eles, camarada, esta homenagem. Não a que se escreve em placas. A que se guarda no coração.


Uma palavra, uma frase, para um gigante

Entre essas sentinelas, há quem ocupe trincheiras ainda mais invisíveis – e mais perigosas.

Raúl Antonio Capote, o nosso querido e grande Agente Daniel, é uma dessas figuras. Durante anos, fingiu ser um agente da CIA para desmontar os planos do império. Brincou com o inimigo no seu próprio tabuleiro. E venceu.

Não usou armas. Não liderou exércitos. Mas é, ele próprio, uma trincheira viva. Exemplo de que a maior batalha se trava dentro da mente do inimigo – e que se pode vencer.

A ele, e a todos os que como ele lutam nas sombras, a minha admiração silenciosa.


Por fim e o que fica

Ficam as madrugadas perdidas.
Ficam os olhos cansados.
Ficam as vozes roucas.
Ficam os artigos traduzidos, as notícias partilhadas, as mentiras desmentidas.
Ficam os que, mesmo exaustos, não desligam.

E fica a certeza de que, enquanto houver sentinelas assim, a verdade não dormirá. E a luta, camarada, continuará.

Aos que velam – anónimos, incansáveis, verdadeiros – o meu reconhecimento. O teu, camarada, também.

E por fim, uma homenagem a todo o povo cubano – ele sim, a sentinela maior.


O Povo que é uma Trincheira

Antes de qualquer ecrã, antes de qualquer artigo, antes de qualquer tradução, há uma ilha. Uma ilha que há mais de seis décadas enfrenta o bloqueio mais longo e mais cruel da história. E nessa ilha, camarada, não há um único habitante que não seja, ele próprio, uma sentinela.

O povo cubano é, ele todo, uma trincheira. Não a trincheira dos soldados de profissão, mas a dos que acordam todos os dias e decidem continuar. A dos que, sem petróleo, mantêm os hospitais abertos. A dos que, sem comida, partilham o pouco que têm. A dos que, mesmo no escuro, acendem uma vela – e com ela, uma esperança.

Não há muro que os separe. Não há sanção que os cale. Não há mentira que os convença de que a sua revolução é uma ilusão.

Eles sabem. Sabem que são a ponta de lança. Sabem que a sua resistência inspira outros povos. Sabem que o bloqueio não é apenas uma agressão a Cuba – é uma mensagem para o mundo: “Olhem, se resistirmos, pode ser que eles também resistam.”

E por isso, camarada, o povo cubano é a sentinela das sentinelas. O farol que guia todos os que, nas madrugadas solitárias, traduzem, partilham, denunciam. O exemplo de que a luta, quando é justa, nunca é em vão.


A sentinela que não dorme

Não dormem os médicos que operam à luz de telemóveis.
Não dormem os professores que ensinam sem giz.
Não dormem as mães que dividem o prato.
Não dormem os avós que contam histórias de resistência.
Não dormem os que, nas ruas de Havana, empunham bandeiras e gritam “Patria o Muerte”.

Não dormem porque sabem que, se dormirem, o bloqueio terá vencido. E eles, camarada, não deixam.

A eles, povo cubano, a minha homenagem. Não a dos discursos, mas a da memória. A da solidariedade activa. A da tradução diária. A da página que não se cala.

Não vos peço que desistam. Peço que me deixem remar convosco.


O que fica

Fica o povo cubano. De pé. Unido. Invencível.

Fica a certeza de que, enquanto houver um cubano a resistir, haverá um português a traduzir, um indiano a partilhar, um russo a denunciar, um chinês a construir.

Fica o oceano. Sempre o oceano. Aquele que não se quebra.

¡Patria o Muerte! ¡Venceremos!

Paulo Jorge da Silva | Um activista português que viu, cheirou e sentiu o bloqueio. Pela soberania de Cuba. Pelo fim do cerco. Pelos milhões que, em silêncio, já decidiram de que lado estão. Porque os princípios, como Fidel ensinou, não se negoceiam.

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Paulo Da Silva

Um activista português que viu, cheirou e sentiu o bloqueio. Pela soberania de Cuba. Pelo fim do cerco. Pelos milhões que, em silêncio, já decidiram de que lado estão. Porque os princípios, como Fidel ensinou, não se negoceiam.

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