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Reservas mundiais de petróleo estão a diminuir a um ritmo sem precedentes: o que podemos esperar?

Desde o início de março até ao final de abril, as reservas de petróleo diminuíram quase 5 milhões de barris por dia, o maior declínio já registado. Mesmo uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz não resolveria a situação.

As reservas mundiais de petróleo estão a diminuir a um ritmo sem precedentes no contexto do conflito entre o Irão e os Estados Unidos e do encerramento do Estreito de Ormuz, informa a Bloomberg.

De acordo com a agência, desde o início de março até ao final de abril, as reservas de petróleo diminuíram quase 5 milhões de barris por dia, a maior redução registada: a maior parte da queda, 60 %, corresponde ao petróleo bruto; enquanto o restante se refere a combustíveis e produtos derivados. Embora a maior tensão se concentre em países asiáticos, como a Indonésia, o Vietname, o Paquistão e as Filipinas, os stocks de combustível de aviação nos países europeus também estão a esgotar-se na véspera da época de férias de verão. 

Perante esta situação, a Bloomberg indica que o mercado continuará sob pressão durante um período prolongado e que, neste momento, mesmo uma reabertura do Estreito de Ormuz não resolveria a situação.

Nesse contexto, o especialista da Universidade Financeira e do Fundo Nacional de Segurança Energética, Ígor Yushkov, afirmou que, mais tarde, será necessário repor as reservas estratégicas que foram retiradas. Ele citou como exemplo o caso dos Estados Unidos, onde — recordou — as regras obrigam uma empresa que recebe petróleo das reservas estratégicas a devolver, no prazo de um ano, um volume uma vez e meia superior; por isso, mesmo com uma possível reabertura de Ormuz, prevê um aumento nas compras.

«A procura será elevada porque se comprará petróleo para o consumo atual e para reabastecer as reservas estratégicas», explicou, acrescentando que isso manteria os preços elevados.

Tudo sobre a OPEP, o bloco que controla os preços mundiais do petróleo, neste artigo

Paralelamente, apontou outros fatores que poderiam fazer com que os preços caíssem, em especial o risco de desintegração da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Segundo Yushkov, os Emirados Árabes Unidos já saíram do acordo e, assim que o Estreito de Ormuz for reaberto, tentarão «maximizar» a sua produção. Neste contexto, indicou que, atualmente, a extração dos Emirados está limitada pela capacidade do oleoduto para o porto de Fujairah —uma rota alternativa ao estreito—, de 1,8 milhões de barris por dia, face a uma produção próxima dos 4 milhões.

«Quando o Estreito de Ormuz for reaberto, é claro que irão maximizar a produção, e os outros também», afirmou, classificando este cenário como «o principal risco» para o preço elevado do petróleo. O especialista salienta que outros membros da OPEP também poderão sair do pacto e, se isso acontecer, o mercado receberia volumes adicionais, gerando excedentes e fazendo com que o preço caísse. 

Quanto ao impacto para a Rússia, Yushkov salientou que um nível em torno dos 100 dólares por barril «automaticamente» aumenta as receitas do país euro-asiático. «Não precisamos de preços extremamente elevados, entre 140 e 150 dólares por barril. Preços em torno dos 100 a 110 dólares permitem-nos obter bons lucros sem reduzir a procura mundial», salientou.

  • Embora os quase 40 dias de intensas hostilidades tenham culminado num cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão a 7 de abril, as tensões continuam elevadas entre as partes, devido ao fracasso das negociações de paz, à troca de ataques verbais e ao bloqueio naval mútuo imposto aos navios comerciais entre o Golfo Pérsico e o Mar Arábico.
  • Na segunda-feira, Teerão voltou a alertar os navios comerciais e petroleiros para que se abstenham de transitar pelo Estreito de Ormuz sem coordenação prévia com as Forças Armadas, que controlam esta via marítima estratégica.
  • As forças iranianas iniciaram um bloqueio parcial do Estreito de Ormuz em resposta à agressão conjunta e não provocada dos EUA e de Israel contra o Irão. Atualmente, Teerão está a elaborar uma lei que prevê a cobrança de portagens pela passagem por esta rota marítima.

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