Posorja: o corredor estratégico do tráfico de cocaína para a Europa
O Equador é o principal corredor regional do tráfico de drogas por mar, terra e, em menor escala, conexões aéreas. Uma força de atração para as máfias transnacionais que conta com o apoio dos EUA.
O Equador abriga o principal porto de saída de cocaína da América Latina para a Europa. No terminal de Posorja, no sudoeste do país, o crescimento do comércio é proporcional ao tráfico de drogas e à violência dos cartéis, de acordo com o Projecto de Relatório sobre Crime Organizado e Corrupção (OCCRP, na sigla em inglês).
Localizado na província costeira de Guayas, o porto de águas profundas inaugurado em 2019 após um investimento de US$ 1,2 bilhão é considerado um ponto estratégico do tráfico de cocaína com destino à Espanha, Alemanha e Bélgica, de acordo com dados corroborados pela Europol, bem como África e Ásia.
A cocaína é escondida em cargas de frutas, flores, sacos de fertilizante e compartimentos secretos dentro de camiões refrigerados e de combustível.
A new port in Ecuador has brought global commerce — but also cocaine and cartel violence — to the once placid shores of the fishing town of Posorja.https://t.co/rnoyFGnrRe
— Organized Crime and Corruption Reporting Project (@OCCRP) September 11, 2025
Desde março de 2025, os meios de comunicação e a polícia local relatam a apreensão de toneladas desse alcalóide com destino à cidade alemã de Hamburgo, Antuérpia e a Península Ibérica.
As violentas operações policiais são insuficientes para deter o tráfico de drogas nessa região pertencente ao cantão de Guayaquil, onde, paralelamente ao tráfico de drogas, a violência tem crescido.
O relatório de 2025 do Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime evidencia um aumento no número de vítimas de homicídio, atingindo 45,7% por cada 100.000 habitantes.
Também crescem flagelos como a violência sexual, o tráfico de pessoas e a lavagem de dinheiro. Em zonas fronteiriças como Esmeraldas, Carchi e Sucumbíos, multiplicam-se os laboratórios de refinação e embalagem.
Ao mesmo tempo, os vizinhos da paróquia rural do cantão de Guayaquil, trabalhadores portuários, pescadores e camponeses enfrentam ameaças de gangues do crime organizado, obrigando-os a colaborar com o uso de terras, embarcações, armazéns e outros meios de transporte.

O investimento e as operações no Porto de Águas Profundas do terminal de Posorja estão ligados ao consórcio Nobis Holdings, cuja fundadora e investidora tem o sobrenome Noboa, o mesmo do actual presidente do Equador, Daniel Noboa.
Na mesma família, o negócio de exportação através da empresa Noboa Trading sofreu vários escândalos que o ligam ao tráfico de cocaína camuflada em contentores de banana com destino à Europa.
Dados da Polícia Nacional recolhidos entre 2020 e 2022 e revelados por investigações jornalísticas em março deste ano ligam a empresa dos Noboa a 700 quilos de cocaína apreendidos no porto de Naportec, em Guayaquil.
A segurança, a luta contra o terrorismo e o tráfico de drogas foram os pilares da campanha presidencial de Daniel Noboa. No entanto, o que se conseguiu até hoje foram desaparecimentos forçados atribuídos a operações policiais, violência e quase 3.100 homicídios apenas no primeiro trimestre de 2025.
De acordo com o relatório do Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime, 10,5% das drogas em circulação no Equador são cocaína, superada pela marijuana (17,6%) e pelos opiáceos (21,2%). A tendência é de aumento, o que evidencia o fracasso da estratégia de Noboa contra o crime organizado.
O Comando Sul dos Estados Unidos considera o Equador um ponto nevrálgico para os seus interesses geopolíticos, e a recente visita do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, confirma isso.
Enquanto Washington ameaça a Venezuela com um destacamento militar no Caribe sob o pretexto do tráfico de drogas, o Equador é o corredor regional do narcotráfico por mar, terra e, em menor medida, conexões aéreas. Uma força de atração para as máfias transnacionais que conta com o apoio dos Estados Unidos.
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