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Os bolsos dos americanos sofrem um efeito bumerangue devido à sua guerra contra o Irão

Washington poderá ver-se obrigada a endurecer a sua política monetária para cumprir a sua meta de inflação.

Os norte-americanos estão a pagar as consequências da guerra desencadeada pelo presidente Donald Trump contra o Irão, tendo de lidar com uma pressão inflacionista que afecta «uma vasta gama de bens e serviços» e parece estar a agravar-se, publica  Axios, que baseia as suas avaliações no mais recente relatório oficial sobre os preços no consumidor, publicado na véspera.

O meio de comunicação salienta que o aumento generalizado dos preços não se limita ao sector energético e, pelo contrário, os dados sugerem que «é cada vez mais difícil atribuir o impulso inflacionista […] apenas aos efeitos pontuais dos direitos aduaneiros e do bloqueio do estreito de Ormuz».

Em abril passado, o Índice de Preços ao Produtor para a procura final registou um aumento de 1,4 % em relação ao mês anterior e acumula um aumento de 6 % nos últimos 12 meses. Se fossem excluídos os sectores da actividade económica considerados voláteis – alimentação, comércio e energia –, o indicador continuaria a apresentar uma variação anual de 4,4 %, o valor mais elevado desde 2023.

A este respeito, salientou-se que os maiores aumentos se registaram no sector dos serviços, o que se explica pelo aumento de 5 % nos preços dos transportes e do armazenamento. Isto significa que aumento dos preços dos combustíveis já começou a ter um impacto significativo nos preços de outros bens.

Um panorama complexo

Este panorama coincide com a candidatura de Kevin Warsh à presidência da Reserva Federal, em substituição de Jerome Powell, que tem sido abertamente criticado por Trump por não ceder às suas exigências.

No entanto, apesar de Trump apostar que a chegada de Warsh à Reserva Federal abra caminho para uma descida das taxas de juro – uma medida a que Washington recorre periodicamente para reduzir a inflação –, o panorama não é favorável a tal.

A Axios afirma que, desta vez, a decisão estaria condicionada ao fim drástico  da tendência ascendente que a inflação apresenta actualmente ou a mudanças substanciais na dinâmica do mercado de trabalho, uma vez que os problemas económicos nos EUA não se explicam inteiramente pelos efeitos do conflito na Ásia Ocidental.

«Penso que provavelmente será importante manter a atual postura de política monetária ligeiramente restritiva durante algum tempo. Mais de cinco anos de inflação acima da meta reduziram a minha paciência para “ignorar” outro choque de oferta», afirmou esta quarta-feira a presidente do Federal Reserve de Boston, Susan Collins, durante a sua participação no Clube Económico de Boston.

A especialista alertou que, embora não seja o cenário mais provável, os EUA teriam de endurecer a sua política monetária «para garantir que a inflação regresse de forma sustentável aos 2 % num prazo razoável».

Fonte:

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