América Latina e Caraíbas

O México está a construir a “paz”; anteriormente, privilegiava-se a “guerra” e a ingerência: Sheinbaum

Cidade do México. Ao salientar que o México registou em 2025 «a melhoria mais significativa em matéria de paz em, pelo menos, uma década», a presidente Claudia Sheinbaum afirmou esta quarta-feira que o país «está a construir a paz, ao contrário do que acontecia no passado», quando — segundo ela — se privilegiava «a guerra» e a ingerência estrangeira. «Nós, mexicanos, somos capazes; o que faltava eram governos honestos», afirmou.

Na sua conferência matinal no Palácio Nacional, a presidente apresentou o relatório Índice de Paz do México 2026, elaborado pelo Instituto para a Economia e a Paz (IEP), uma organização independente com sedes em Sydney, Nova Iorque, Haia, Abuja, Nairobi e Manila. Conforme publicado nesta terça-feira pelo La Jornada, o documento revelou que a paz no México melhorou 5,1% durante 2025, o avanço mais significativo desde o início da medição e o sexto ano consecutivo de melhoria.

O estudo atribui grande parte desse resultado à diminuição de 22,7% nos homicídios, o que representa cerca de 7 mil homicídios a menos em relação a 2024.

«A honestidade dá resultados», afirmou Sheinbaum, garantindo que o relatório confirma que a estratégia de segurança promovida pelo governo do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador inverteu a tendência de deterioração registada nos anos anteriores. «A partir da chegada do presidente López Obrador, começou a construir-se a paz», disse ela.

A presidente comparou essa estratégia com a aplicada durante o mandato do ex-presidente Felipe Calderón, período que — segundo ela — apostou na «guerra contra o narcotráfico» e permitiu a intervenção directa de agências norte-americanas em operações no território nacional.

«Como é que uma estratégia a que chamas guerra vai construir a paz?», questionou. Acrescentou que, durante esse período, «se passou de 27 homicídios diários para mais de 70 homicídios diários em seis anos».

Sheinbaum insistiu que o México mantém uma coordenação com os Estados Unidos, mas rejeitou qualquer forma de subordinação. «Na nossa casa, quem manda é o povo. Não são os outros que mandam», afirmou. Comparou a atuação de agências estrangeiras a «abrir a porta da sua casa» a um governo estrangeiro para que este «comece a dar ordens».

Afirmou que o debate actual no país gira em torno de «quem decide no México» e sublinhou que «a essência do que estamos a viver hoje é a defesa da soberania».

Rejeitou também as acusações de líderes da oposição de que o seu governo tem «pactos» com criminosos. Sobre o presidente nacional do PRI, Alejandro Moreno, afirmou que este foi «um dos governadores mais corruptos da história do México», depois de este ter apelado à quebra de um suposto «pacto criminoso».

No que diz respeito ao dirigente nacional do PAN, Jorge Romero, recordou que um ex-funcionário da sua administração na Câmara Municipal de Benito Juárez se encontra detido por irregularidades no setor imobiliário.

«Não, nós rompemos o pacto criminoso em 2018», respondeu a presidente. «E ninguém nos pode acusar de fazer acordos, nem abertamente nem às escondidas, com qualquer criminoso.»

A presidente afirmou ainda que alguns sectores nos Estados Unidos procuram utilizar o México para fins eleitorais, na perspectiva das eleições de novembro, embora tenha esclarecido que não atribui essas posições ao presidente Donald Trump.

«O México não é o alvo de ninguém», advertiu.

Noutro momento, Sheinbaum leu excertos das memórias do general e ex-presidente norte-americano Ulysses S. Grant sobre a invasão dos Estados Unidos ao México no século XIX, para defender a bravura dos soldados mexicanos e apelar à confiança «na nossa história, na nossa dignidade e no nosso povo».

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