“A saúde não pode esperar”: argentinos condenam os cortes e a deterioração do sistema de saúde
Entre outros pontos, a Marcha Federal da Saúde denunciou que mais de 742 000 pessoas perderam a sua cobertura de seguro de saúde público ou privado e que os hospitais públicos registam níveis de ocupação próximos dos 90 por cento, mesmo antes do inverno.
A Marcha Federal da Saúde teve, nesta quarta-feira, 20 de maio, o seu epicentro em Buenos Aires, na Argentina, mas foi replicada em vários pontos do país sul-americano para denunciar a grave deterioração do sistema de saúde sob o governo do ultradireitista Javier Milei.
Sindicatos, organizações sociais, associações médicas e profissionais de saúde mobilizaram-se na capital argentina para manifestar a sua oposição ao corte de 63 mil milhões de pesos (cerca de 45 milhões de dólares) aplicado pelo Governo argentino ao sector da saúde.
Sob o lema «A saúde não pode esperar», exigiram medidas urgentes ao ministro da Saúde, Mario Lugones, denunciando que a falta de financiamento tem um impacto directo na disponibilidade de medicamentos e vacinas.
#ENVIDEO | En Argentina se desarrolló la marcha federal en defensa de la Salud Pública en contra del ajuste impulsado por el presidente Javier Milei. pic.twitter.com/3syYos0JxE
— teleSUR TV (@teleSURtv) May 20, 2026
O secretário-geral da Federação Sindical dos Profissionais de Saúde (Fesprosa), Jorge Yabkowski, referiu que «há dois anos que nos manifestamos nas ruas contra Milei e Lugones», ao mesmo tempo que mencionou que as manifestações se inscrevem num plano de luta que inclui greves em hospitais de diferentes partes do país.
Salientou que, além da manifestação em Buenos Aires, também se registaram protestos em províncias como Santa Cruz, Mendoza, Santa Fé, Terra do Fogo e Chaco, em rejeição ao corte de 40% que o Governo de Javier Milei vem a aplicar desde o início do seu mandato, em dezembro de 2023.
Yabkowski salientou que é igualmente necessário «criticar os governadores e os presidentes de câmara que estão a promover a precarização nas suas províncias e municípios».
Os principais slogans do protesto centraram-se na redução dos recursos nacionais destinados à saúde pública. Os dados, apresentados pela fundação Soberanía Sanitaria, indicam que a redução é de 34% em termos reais entre 2023 — ano da tomada de posse presidencial de Milei — e 2025.
🚨 Aumentan tarifas de transporte público en Buenos Aires. Desde este lunes, #BuenosAires registra nuevos #Tarifazo en trenes (18% de alza, mínimo $330) y colectivos (2% de alza, mínimo $714) en el #AMBA.#teleSUR #Argentina #TransportePúblico pic.twitter.com/OJL6GG7to6
— teleSUR TV (@teleSURtv) May 18, 2026
«A saúde pública tem de ser defendida» ou «as medidas de austeridade de Milei matam» foram alguns dos slogans entoados pelos manifestantes. Além disso, os argentinos alertaram para a falta de vacinas essenciais para prevenir várias doenças e dar continuidade às campanhas de imunização.
“Se tem que haver uma chuva, que seja de medicamentos”, “se querem esvaziar as salas, lutaremos nas ruas” e “a classe privilegiada que não consegue chegar ao fim do mês atende-vos 24 horas por dia”, foram outras das mensagens dos manifestantes.
Entretanto, o Instituto Argentina Grande publicou um relatório no início de maio, indicando que entre 2023 e 2025 os hospitais públicos receberam 742 000 novos pacientes, o que — segundo o documento — aumentou a pressão sobre um sistema de saúde com cada vez menos recursos.
Por seu lado, o secretário de Gestão Sanitária do ministério, Saúl Flores, afirmou na terça-feira que «de forma alguma» há uma redução dos fundos e apresentou uma «abordagem centrada na eficiência e no que isso implica, ou seja, a poupança na gestão dos recursos». Acrescentou ainda que «não há qualquer ajuste, não há qualquer redução do financiamento».

Os manifestantes insistiram que mais de 742 000 pessoas perderam a sua cobertura de seguro de saúde público ou privado e que os hospitais públicos registam taxas de ocupação próximas dos 90 por cento, mesmo antes do inverno.
Entretanto, o secretário-geral da Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE), Rodolfo Aguiar, observou que 80% dos planos de saúde estão sem financiamento e que os salários dos trabalhadores estão abaixo do limiar da pobreza, pelo que milhões de argentinos e argentinas não têm acesso ao direito à saúde.
A secretária-geral da ATE Rosario, Lorena Almirón, condenou as políticas de austeridade e salientou a necessidade de «discutir os salários e as condições de trabalho» no setor. No âmbito da marcha, ela contou: «Ouvi uma reformada dizer que comprava os seus medicamentos a cada dois meses porque não tinha condições de os comprar todos os meses. Isso confirma o que temos vindo a dizer sobre a situação do PAMI: é um genocídio dos idosos e não podemos permitir isso».
Pode partilhar esta história nas redes sociais:
Fonte:




