Cuba não representa uma ameaça para os Estados Unidos
Cuba não representa uma ameaça, nem tem planos ou intenções agressivas contra qualquer país. Não tem tais planos contra os EUA, nem nunca os teve, facto que o Governo daquele país conhece bem, em especial as suas agências de defesa e segurança nacional.
Cuba não representa uma ameaça para os Estados Unidos. Todos os serviços de segurança norte-americanos sabem disso perfeitamente. No entanto, a agenda mediática insiste em apresentar a ilha precisamente como um grave perigo para a segurança nacional. Estamos a assistir a um exercício de fabricação de consenso em tempo real.
O objectivo é criar alarme ou ruído suficientes para adormecer ou travar directamente qualquer reação no seio da sociedade norte-americana face a uma agressão à ilha. Os meios de comunicação seguem a velha premissa atribuída ao magnata da imprensa William Randolph Hearst durante os dias da guerra hispano-cubana de 1895-1898: eles dão as notícias, o aparelho militar e os interesses que este representa dão a guerra.
Neste caso, tal como em muitos outros anteriores, a guerra é inteiramente uma escolha. Cuba não ataca, nem ameaçou atacar, nem tem planos de atacar os Estados Unidos. Isso é demonstrado pelo seu histórico irrepreensível na luta contra o terrorismo e pela sua ampla e comprovada vontade de colaborar com os Estados Unidos e outros países da região nestas e noutras questões.
Indo ainda mais longe, Cuba não tem nada a ganhar ao comprometer a segurança nacional dos Estados Unidos. Estando tão perto do território norte-americano e sendo tão evidentes as assimetrias em termos de poderio, seria um passo descabido empreender qualquer acção prejudicial contra a segurança do gigante vizinho do norte. Isto não só vai contra os princípios do projecto cubano, como implicaria um risco demasiado elevado do ponto de vista militar.
Mas a falta de provas concretas nunca impediu os serviços de «informações», as estruturas governamentais e os meios de comunicação corporativos de criarem uma opinião pública favorável à invasão. Desde as «armas de destruição maciça» no Iraque, passando pelo «Cartel dos Sóis» na Venezuela, até chegar aos «300 drones» em Cuba, nunca faltaram nem faltarão desculpas para pôr em marcha a macabra máquina da morte.
O cerne da questão está mais relacionado com as manobras políticas internas dos Estados Unidos do que com o facto de Cuba constituir uma verdadeira ameaça. As aspirações presidenciais de Rubio e os compromissos do actual presidente com o poderoso lobby cubano-americano da Flórida são os principais motores que impulsionam esta agenda agressiva.
São eles que, ao longo da história, têm promovido o cerco contra a ilha e são os principais impulsionadores das restrições que vêm apertando a sociedade e a economia cubanas desde a anterior administração de Trump, mas que atingiram um novo patamar neste ano de 2026 com os decretos executivos de 29 de janeiro e 1 de maio.
Este cerco moderno contra Cuba é cruel por muitas razões. O agressor, com um custo material muito baixo e sem ainda ter lançado nenhuma bomba, estrangula a economia cubana e aumenta exponencialmente o sofrimento e a morte do povo cubano. Ao mesmo tempo, poderosos aparelhos mediáticos e de manipulação da consciência intensificam a escalada, culpando exclusivamente o governo cubano pela situação. O objectivo é colocar o governo numa posição em que resistir à agressão do imperialismo se torne uma opção inaceitável. Se se recusar a ceder soberania, é culpado pelo sofrimento contínuo do povo; se se preparar para a defesa, é culpado de querer agredir os Estados Unidos.
O estado desejado é um país que renuncie à sua soberania, um exército que não se defenda e um povo que aplauda os invasores como heróis. A profunda mentalidade anti-imperialista do povo cubano é um dos grandes obstáculos à concretização deste sonho da Flórida.
A parte dos cubanos que apoia uma possível agressão por parte dos Estados Unidos há muito que deixou de ser patriota. Seja por ódio ao projecto político da Revolução ou por desejarem tornar-se o 51.º estado da União Americana, estão dispostos a aceitar a perda total da soberania do seu país. Alguns até se regozijam com o custo humano que uma invasão acarretará. Ao desumanizar os cubanos que pensam de forma diferente, conseguem encontrar alegria em algo tão brutal como uma guerra.
No fim de contas, se há algo que a história regional nos tem demonstrado é que, uma vez que as garras do império norte-americano se cravam firmemente no solo de alguma das nossas sofridas repúblicas americanas, são necessárias décadas ou séculos para recuperar a plena soberania — se é que alguma vez isso acontece.
A resposta de Cuba foi clara e firme. No dia 18 de maio, o presidente Díaz-Canel publicou uma declaração de princípios na rede social X:
«A simples ameaça já constitui um crime internacional. Se se concretizar, provocará um banho de sangue com consequências incalculáveis, além do impacto destrutivo para a paz e a estabilidade regional.»
Cuba não representa uma ameaça, nem tem planos ou intenções agressivas contra qualquer país. Não tem tais planos contra os EUA, nem nunca os teve, facto que o Governo daquele país conhece bem, em especial as suas agências de defesa e segurança nacional.
Cuba, que já sofre uma agressão multidimensional por parte dos EUA, tem, de facto, o direito absoluto e legítimo de se defender de um ataque bélico; o que não pode ser invocado, nem de forma lógica nem honesta, como pretexto para impor uma guerra contra o nobre povo cubano.
O direito à legítima defesa está consagrado no artigo 71.º da Carta das Nações Unidas. Ao exercê-lo, Cuba não faz mais do que cumprir o direito internacional, o mesmo que os Estados Unidos violam ao submeter o país a um sistema unilateral de sanções que tem sido repetidamente condenado pela comunidade internacional e cuja extraterritorialidade o torna uma violação de todos os tratados e convenções internacionais em matéria comercial.
As autoridades cubanas têm repetido incessantemente os riscos de uma agressão militar e têm enviado todos os sinais da sua disponibilidade para dialogar. Não se pode acusar a ilha de ter mantido uma atitude irracional ou obstinada. A única linha vermelha neste processo tem sido não fazer concessões de princípios nem negociar em torno do sistema político.
O problema fundamental é que são precisamente esses dois temas que constituem o único interesse dos Estados Unidos. Washington não quer realmente negociar. Quer impor condições e que estas sejam aceites, como pré-requisito para qualquer alívio dessa punição desumana. É a estratégia de pressão máxima aplicada para quebrar um país simplesmente porque não lhes agrada.
Não é novidade. Não é a primeira vez que vemos algo assim. Não é a primeira vez que a comunidade internacional fica de braços cruzados enquanto um país é destruído. Mas o processo cubano, sendo fruto de uma Revolução conquistada pelas armas, está disposto a defender-se pelas armas, se for necessário.
Cuba não é uma ameaça para os Estados Unidos. Mas não está indefesa. E assim que a agressão começar — o que esperemos que nunca aconteça —, defender-nos-emos com todos os meios ao nosso alcance. Se há algo que o Vietname, o Líbano, o Iémen ou o Irão nos ensinam é que nenhum inimigo é invencível perante um povo disposto a defender a sua pátria.
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Autor:
José Ernesto Nováez Guerrero | Escritor e jornalista cubano. Membro da Associação Hermanos Saíz (AHS).
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