William Castillo: 1 040 medidas coercivas continuam em vigor contra a Venezuela
O funcionário destacou o impacto nos salários, na saúde e na migração, ao mesmo tempo que explicou a importância da Grande Peregrinação Nacional para exigir o fim das sanções
Um total de 1.088 medidas coercivas unilaterais foram aplicadas contra a Venezuela nos últimos 11 anos, das quais 1.040 continuam em vigor actualmente, informou o vice-ministro da Política Antibloqueio, William Castillo, ao avaliar a guerra económica imperialista contra a nação sul-americana, que não hesitou em qualificar como «castigo colectivo a toda a população» com impactos significativos nos salários, na saúde, na educação, na estabilidade laboral e nos setores produtivos-chave
“Estamos há mais de 11 anos sujeitos a medidas coercivas unilaterais; isto começou em dezembro de 2014, com uma lei aprovada contra a Venezuela, na qual já se vislumbrava a possibilidade de nos imporem sanções, e prosseguiu com o decreto de Obama de março de 2015. São mais de uma década de agressões”, afirmou Castillo durante uma entrevista no programa De Frente con la Noticia, transmitido pela Venezolana de Televisión (VTV).
O funcionário explicou que a maior parte destas sanções administrativas e financeiras visa principalmente autoridades governamentais e organismos públicos do Estado venezuelano.
Além disso, precisou que 16 % das medidas coercivas visavam directamente os sectores da mineração e do petróleo, que constituem as principais fontes de receita do país.
Os restantes 16 % das restrições afectaram a a~ctividade empresarial privada e comercial do país.
“Foi uma asfixia económica, foi um castigo colectivo a toda a população que acabou por afectar os salários, a saúde e a educação; prejudicou as universidades, levou muitos profissionais a emigrar, dividiu as famílias e gerou uma grave recessão económica acompanhada de hiperinflação”, enfatizou o vice-ministro ao avaliar o impacto social da última década.
União Nacional e mobilização civil
Castillo destacou a importância da segunda etapa da Grande Peregrinação Nacional por uma «Venezuela sem sanções e em paz», que teve início na passada terça-feira, 19 de maio.
Explicou que esta iniciativa tem como objectivo principal que todos os setores da sociedade civil se mobilizem para dar visibilidade às realidades locais e aos relatos de resistência popular face ao bloqueio.
«Todos juntos temos de exigir o fim da agressão mais cruel, desumana e ilegal que já foi cometida contra a nossa história», insistiu o vice-ministro, apelando à consolidação da coesão nacional face às exigências internacionais do país.
“A Venezuela tem o direito de recuperar plenamente todos os seus direitos económicos, o seu comércio livre, de importar e exportar, de vender e comprar a quem quiser, porque apenas existem 31 países no mundo que impõem medidas coercivas unilaterais, o que é ilegal (…) O que a Venezuela tem de conquistar é o seu direito de viver em paz e sem sanções; é um grande objetivo nacional que deve unir todos os venezuelanos», salientou.
Pressão económica vs. multilateralismo e diplomacia
De acordo com o Mapa Geopolítico das Sanções, até abril de 2026, um total de 37 929 medidas coercivas unilaterais (MCU) pesam sobre 31 países, impostas pelos EUA, pela União Europeia e por outros Estados.
94 % destas medidas (35 733) concentram-se em nove países, e os restantes 6 % distribuem-se por 22 nações. A Rússia lidera a lista com 75 % do total (28 573). Segue-se o Irão, com 9 % (3 228). A Venezuela é o terceiro país com mais sanções (1 040, impostas em apenas uma década).
Seguem-se a Síria (941), a Coreia do Norte (869), o Iraque (327), a Bielorrússia (255), Cuba (246) e Mianmar (206).

O Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC), subordinado ao Departamento do Tesouro dos EUA, é a principal agência sancionadora do mundo. Porta-aviões da guerra económica para «disciplinar» Estados soberanos, esse departamento impôs 13 284 medidas coercivas unilaterais (35 %) contra 31 países.
A par da guerra, as MCU constituem o eixo central das pressões dos EUA contra outras nações. Tendo isto em conta, caberia perguntar se não será um Estado falhado aquele que não consegue atingir os seus objectivos de política externa através da boa vizinhança, da diplomacia e do multilateralismo.
Segue-se a UE, que impôs 16 % do total das sanções a nível mundial, atingindo 5 961 MCU contra diferentes países. Só contra a Venezuela, aplicou 70 MCU.
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