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Crise na Bolívia: ministros da Defesa e da Educação demitem-se no meio de protestos

O presidente Rodrigo Paz enfrenta a demissão de duas figuras-chave do seu gabinete, Marcelo Salinas e Beatriz García, no meio de 33 dias de mobilizações sociais e bloqueios que exigem a sua saída do poder.

Os ministros bolivianos da Defesa, Marcelo Salinas, e da Educação, Beatriz García, apresentaram a sua demissão nesta terça-feira ao presidente Rodrigo Paz, no meio de intensos protestos que abalam a Bolívia há um mês, em rejeição às políticas neoliberais implementadas pelo Governo.

A demissão dos ministros ocorre no 33.º dia de mobilizações e bloqueios de estradas liderados pela Central Obrera Boliviana (COB) e por organizações camponesas do departamento de La Paz. Os manifestantes exigem unanimemente a demissão do presidente Rodrigo Paz.

Fontes não oficiais indicaram que Salinas e García se demitiram devido à sua recusa em assinar um decreto de estado de excepção, após a promulgação da Lei 1732. O Governo nacional está a avaliar esta medida para autorizar a intervenção das Forças Armadas nos mais de 90 bloqueios de estradas registados em oito regiões do país.

As demissões foram anunciadas após uma reunião de coordenação interna do Executivo, que reuniu os ministros com o presidente no Palácio do Governo, situado na cidade de La Paz.

Marcelo Salinas ocupava o cargo de ministro da Defesa desde novembro de 2025, uma área fundamental que supervisiona as Forças Armadas e a segurança do Estado. O cargo será assumido de imediato por Ernesto Justiniano, que ocupava o cargo de vice-ministro da Defesa Social e Substâncias Controladas.

Segundo a imprensa local, Justiniano — o atual «czar antidrogas» — assumiria o cargo por indicação da embaixada dos Estados Unidos para levar a cabo uma intervenção no Trópico de Cochabamba, bastião do ex-presidente Evo Morales.

O funcionário foi assessor político do presidente Paz no departamento de Santa Cruz e visitou recentemente os Estados Unidos em busca de apoio para a luta contra o tráfico de drogas. Graças aos seus esforços, foi acordado o regresso da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) à Bolívia.

Por seu lado, a ministra Beatriz García abandonou o cargo sem especificar os motivos oficiais da sua demissão nem anunciar o seu sucessor. Esta dupla saída agrava a crise política na Bolívia, que já tinha registado a demissão do ministro do Trabalho, Edgar Morales, no passado dia 21 de maio.

Morales demitiu-se após as constantes pressões da Central Operária Boliviana (COB) e dos sindicatos industriais que se mobilizaram nas ruas. As organizações sociais mantêm a sua recusa em dialogar com o Executivo, enquanto o país sul-americano enfrenta uma paralisação rodoviária que afecta a economia das principais cidades do oeste, com escassez de alimentos, medicamentos e combustível em La Paz.

Entre as principais reivindicações das bases populares contam-se a exigência da demissão do presidente Rodrigo Paz, que tomou posse há quase sete meses, a  liberação dos líderes detidos, a anulação de projectos de lei como a chamada Lei Antibloqueios e a rejeição às iniciativas de privatização que o Governo pretende levar a cabo.

A tensão social agrava-se após a revogação, por parte da Assembleia Legislativa, controlada em 93% pela direita, da lei que limita a declaração do estado de excepção. Esta medida deixou o Executivo com via livre para incorporar as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FF.AA.) à repressão dos protestos sociais perante a resistência da Central Operária Boliviana (COB) e de outros sindicatos, organizações e movimentos sociais mobilizados.

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