O Irão lança ataques contra a sede da Quinta Frota dos EUA
Teerão afirmou que os bombardeamentos são uma resposta aos ataques norte-americanos contra infraestructuras de comunicações na ilha de Qeshm.
A Força Aeroespacial do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (CGRI) bombardeou com mísseis e drones a sede da Quinta Frota dos EUA, no Bahrein, em retaliação aos recentes ataques de tropas norte-americanas contra instalações críticas iranianas, segundo noticiou a Tasnim.
«O inimigo norte-americano, numa nova agressão, atacou com mísseis uma torre de telecomunicações do CGRI no sul da ilha de Qeshm. Em resposta a esta agressão, a base aérea e de helicópteros que possuem num dos países da região, bem como o centro da Quinta Frota Naval dos EUA , foram atacados com mísseis e drones pela Força Aeroespacial», reza um comunicado divulgado pela agência.
O organismo recordou que já tinha avisado Washington «de que, caso ocorresse uma agressão, a resposta seria diferente e mais contundente». «Estas respostas devem servir de lição», acrescentou.
A versão norte-americana
Entretanto, o CENTCOM referiu numa publicação divulgada na sua conta do X que as tropas do seu país «neutralizaram com sucesso vários mísseis balísticos e drones iranianos e realizaram ataques de autodefesa na ilha de Qeshm, em resposta às tentativas de ataque do Irão no Médio Oriente».
Segundo a parte norte-americana, o Irão lançou sem sucesso «vários mísseis balísticos contra países vizinhos da região». No caso do Kuwait, os dois projécteis «não atingiram o seu alvo ou desintegraram-se em voo», enquanto as forças de defesa aérea conjuntas dos EUA e do Bahrein interceptaram «imediatamente» outros três.
De acordo com a sua cronologia, antes de Teerão se preparar para lançar esses mísseis, o CETCOM abateu «três drones de ataque unidirecionais» iranianos que teriam como alvo «marinheiros civis que navegavam legitimamente em águas regionais», ao mesmo tempo que admitiu ter bombardeado « uma estação de controlo terrestre militar iraniana na ilha de Qeshm”, embora tenha classificado o ato como “ataques de autodefesa”.
Além disso, a entidade militar afirmou que «nenhum membro do pessoal norte-americano ficou ferido». «As forças do CENTCOM permanecem vigilantes e preparadas para se defenderem de qualquer agressão iraniana injustificada durante o cessar-fogo em vigor», conclui o documento.
Perante a tentativa de Washington de negar o ataque contra a Quinta Frota, a Fars divulgou um vídeo que mostraria o impacto de um míssil na sede da entidade militar.
Negociações em risco
Apesar da frágil trégua declarada no início de abril entre Washington e Teerão, a situação na região tem sido marcada, nos últimos tempos, por ataques e ameaças mútuas.
Na segunda-feira, a agência iraniana Tasnim noticiou que a delegação de negociação do Irão suspendeu as conversações e a troca de mensagens com os EUA em protesto contra os ataques de Israel contra o Líbano, uma vez que uma das condições prévias das negociações para o cessar-fogo era a cessação das hostilidades contra essa nação árabe.
Em resposta a essas notícias, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não tinham recebido qualquer informação do Irão sobre uma possível suspensão das negociações, embora, se isso fosse verdade, replicou, não lhe importasse. «Sinceramente, não me interessa se acabaram. A sério que não me importo, não me importo de todo”, afirmou o presidente.
No entanto, Trump indicou posteriormente, na segunda-feira, que teve «uma conversa muito produtiva» com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que lhe prometeu não enviar tropas para Beirute, a capital libanesa. Além disso, acrescentou que Israel e o movimento xiita libanês Hezbollah concordaram em pôr fim aos ataques mútuos.
Posteriormente, Trump anunciou que «as conversações com a República Islâmica do Irão prosseguem a bom ritmo».
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