
Sheinbaum: 75% das armas no México provêm dos EUA.
«A maior parte das armas provém dos Estados Unidos e atravessa ilegalmente a nossa fronteira para semear a violência e ceifar vidas no México», afirmou a presidente.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum Pardo, afirmou esta quinta-feira que 75 % das armas apreendidas ou entregues no país provêm dos Estados Unidos. Durante o programa «Sim ao Desarmamento, Sim à Paz», no átrio da Basílica de Guadalupe, a chefe de Estado declarou que o Governo federal continuará a insistir com firmeza e respeito na necessidade de travar este tráfico ilegal.
«A maior parte das armas vem do país do norte, dos Estados Unidos, e atravessa ilegalmente a nossa fronteira para semear a violência e ceifar vidas no México», afirmou, sublinhando que, tal como o México trabalha todos os dias para impedir a entrada de drogas nos EUA, é indispensável que Washington trave o fluxo de armas que alimenta a violência.
La Presidenta @Claudiashein encabezó #SíAlDesarmeSíALaPaz en la #BasílicaDeGuadalupe, un programa que ha hecho posible el canje de 11 mil 679 armas de fuego y el intercambio de juguetes bélicos por didácticos. Juntos, autoridades, iglesia y sociedad, contribuimos a la… pic.twitter.com/S8ZurDFigk
— Rosa Icela Rodríguez Velázquez (@rosaicela_) July 9, 2026
Perante cidadãos, funcionários federais, a presidente do Governo da Cidade do México, Clara Brugada, e o secretário-geral da Conferência do Episcopado Mexicano (CEM), Héctor Mario Pérez, Sheinbaum Pardo referiu que mais de 11 000 armas foram entregues ao longo de um ano e meio através desta estratégia de desarmamento.
«Hoje queremos erguer a voz a partir deste lugar de esperança: basta de armas, basta de fogo. Nada vale a vida de outra pessoa, nada vale também pôr em risco a própria vida», sublinhou a presidente mexicana, após referir que, se os engenhos recolhidos tivessem chegado a ser utilizados, teriam ceifado milhares de vidas.
Na sua intervenção, a chefe de Estado apelou à paz, que se constrói «com justiça, direitos, educação, valores, comunidade e a decisão coletiva de rejeitar a violência«. Sublinhou que cada arma retirada de circulação é uma oportunidade para salvar uma vida e uma família. «Hoje queremos dizê-lo com toda a clareza: não às armas, sim à paz», acrescentou.
Balanço do programa de desarmamento voluntário no México
A secretária do Interior, Rosa Icela Rodríguez, salientou que «se este programa salvar apenas uma vida, todo o esforço vale bem a pena». Destacou o trabalho conjunto com o Ministério da Defesa Nacional e a Igreja Católica para instalar pontos de troca nos átrios das igrejas.
Rodríguez explicou que, entre 1 de outubro de 2024 e 6 de julho de 2026, os cidadãos entregaram 11 679 armas de fogo no território nacional. Este número inclui 6 404 armas curtas, 3 419 armas longas e 1 856 granadas, além de mais de 700 000 cartuchos.
A funcionária recordou que o programa foi lançado pela presidente Sheinbaum, convidando a população a entregar, de forma voluntária e anónima, sem qualquer investigação, armas de fogo, munições e explosivos em troca de dinheiro.
«Queremos afastar das nossas crianças o perigo que representa ter uma arma de fogo por perto, ao alcance da mão, nas suas próprias casas, nas ruas por onde circulam e nas suas comunidades, mas também evitar situações que resultem de acontecimentos lamentáveis ou fatais, e que as pessoas vão para a prisão por algo que poderia ter sido evitado», declarou Rodríguez.
A presidente do Governo da Cidade do México, Clara Brugada, precisou que, na capital, em coordenação com as autoridades federais, foram retiradas das ruas 1 800 armas e 191 munições em mais de 100 pátios de igrejas.
«Além disso, trocámos 700 brinquedos bélicos por brinquedos educativos e didácticos. Agora, vamos também trocar armas por livros, para que apenas acendamos a pólvora da palavra e o fogo da cultura. Vamos construir, a partir da base e desde a infância, uma nova pedagogia da paz», salientou Brugada.
O evento terminou com uma visita da presidente Sheinbaum Pardo aos módulos de recepção e destruição dos artefactos.
Contexto da agenda binacional e reivindicações do México
A exigência do Governo do México a Washington para travar o contrabando de material bélico tem sido uma constante institucional. Em fevereiro de 2026, o secretário da Defesa Nacional do México, o general Ricardo Trevilla, informou que até 78% das armas apreendidas ao crime organizado provinham de armarias dos EUA, adquiridas legalmente em estados como o Arizona, a Califórnia e o Texas.
Entre o armamento apreendido nesse balanço destacavam-se espingardas do tipo Barrett de calibre .50, metralhadoras e lança-foguetes, além de equipamento militar produzido em fábricas norte-americanas.
Ambas as nações tinham chegado a um acordo em setembro de 2025 no âmbito do Grupo de Implementação de Segurança México –Estados Unidos, um comité no qual a Administração da presidente Claudia Sheinbaum assumiu uma posição clara para redefinir as prioridades da agenda binacional, obtendo o compromisso de Washington de reforçar as operações no seu próprio território para controlar o trânsito de armas para o sul.
Neste contexto, a presidente mexicana reiterou que a relação bilateral deve basear-se no respeito mútuo, sob a premissa de «coordenação sim, colaboração sim, mas não à ingerência nem à perda de soberania».
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