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Noboa decreta toque de recolher e 74% do Equador fica sob estado de excepção

O Governo do Equador acumula 835 dias de estado de excepção permanente sob a gestão de Noboa. As associações profissionais denunciam perdas de até 50 milhões de dólares por dia e repercussões nas exportações.

O presidente do Equador, Daniel Noboa, decretou um novo toque de recolher que entrou em vigor nos primeiros minutos deste domingo e se estenderá até 18 de maio. A medida, que faz parte do estado de excepção em vigor, alarga essa condição a 74% da população equatoriana e visa, segundo o Executivo, reduzir a violência criminal e desmantelar grupos de crime organizado no país.

A restrição à circulação está em vigor das 23h00 às 05h00 nas províncias de Guayas, Manabí, Los Ríos, El Oro, Santa Elena, Pichincha (incluindo Quito), Esmeraldas, Santo Domingo de los Tsáchilas e Sucumbíos. Ao abrigo deste quadro legal, as forças policiais e militares realizam operações conjuntas e entram em residências sem mandado judicial prévio. Quem infringir a medida enfrenta penas de prisão de um a três anos.

Desde o início do seu mandato, em novembro de 2023Noboa decretou 21 estados de excepção e nove toques de recolher. O Governo justifica a medida, referindo que 40% dos homicídios ocorrem de madrugada, mas dados do Ministério do Interior em Guayaquil mostram que os crimes concentram-se em horários anteriores à restrição.

Até ao momento, as operações resultaram em mais de 4 300 detenções, tendo havido denúncias de familiares por maus-tratos em centros de detenção provisória.

O impacto económico suscita preocupação nos sectores produtivos, com perdas estimadas entre 20 e 50 milhões de dólares por dia. Só em Guayaquil, a Câmara de Comércio calcula um prejuízo de 25 milhões de dólares por cada dia de restrições.

As associações de restaurantes, bares e hotéis registam quedas de até 40% nas suas receitas, enquanto sectores estratégicos como o da banana e do camarão enfrentam dificuldades logísticas no transporte noturno de mercadorias.

Representantes da Associação de Restaurantes de Pichincha alertam que o medo paralisa a actividade comercial a partir das 18h00. Estima-se que a manutenção destas medidas extremas comprometa entre 100 000 e 150 000 postos de trabalho, principalmente no sector noturno e temporário, agravando a crise económica nas zonas sob controlo militar.

Fonte:

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