Claudia Sheinbaum em Atenco: “Nunca mais um polícia reprimirá o povo do México”
No âmbito do 20.º aniversário da resistência de Atenco, a presidente Claudia Sheinbaum formalizou a entrega das terras e comprometeu-se a erradicar o uso da força pública contra os movimentos sociais.
A presidente Claudia Sheinbaum liderou este domingo uma manifestação em prol da justiça social em San Salvador Atenco, no estado central do México, onde garantiu que, durante o seu mandato, nenhuma força de segurança será utilizada para reprimir a população.
Duas décadas após a incursão policial de 2006, que envolveu graves violações dos direitos humanos, como torturas, violações sexuais de mulheres e dezenas de detenções arbitrárias, a presidente formalizou a restituição de 54,5 hectares à Frente de Pueblos en Defensa de la Tierra (FPDT), organização que liderou a resistência contra a construção do malfadado Novo Aeroporto Internacional do México (NAIM) no Lago de Texcoco.
A 20 años de la represión contra pobladores de San Salvador Atenco, hoy resarcimos tierras y reconocemos el sacrificio de luchadores sociales. Nunca más un gobierno autoritario que reprima al pueblo. La transformación avanza recuperando la soberanía y la dignidad del pueblo. pic.twitter.com/dWGW7cKcI9
— Claudia Sheinbaum Pardo (@Claudiashein) May 3, 2026
O FPDT aproveitou a comemoração para exigir punição penal contra os responsáveis intelectuais e materiais pela «repressão sangrenta» dos dias 3 e 4 de maio de 2006. A organização apontou directamente os ex-presidentes Vicente Fox e Enrique Peña Nieto (este último então governador do Estado do México) pelas mortes dos jovens Alexis Benhumea e Javier Cortés, bem como pelas torturas sexuais cometidas contra mulheres e pelas detenções arbitrárias de centenas de camponeses.
Durante o evento, Sheinbaum destacou as diferenças entre o modelo neoliberal e a actual administração.Relatou que, ao deparar-se com um bloqueio rodoviário de proprietários de terras comunais da oposição na estrada Texcoco-Lechería, optou pelo diálogo e pela resposta imediata às reivindicações relactivas à água e à terra, em vez de ordenar o despejo policial.
«Onde houve espoliação, hoje há restituição; onde houve repressão, hoje há diálogo», salientou perante a comunidade.
Plan de Justicia para Atenco. Estado de México https://t.co/PDsssp3AS1
— Claudia Sheinbaum Pardo (@Claudiashein) May 3, 2026
César del Valle Ramírez, dirigente do FPDT, reconheceu os avanços iniciados durante o mandato de Andrés Manuel López Obrador, tais como a declaração da área como zona natural protegida e o cancelamento definitivo do NAIM em 2018.
O movimento entregou à presidente uma lista de questões pendentes que inclui a devolução de mais 186 hectares em Xalapango, o fim da exploração mineira na região e a construção de infraestruturas educativas e de saúde no âmbito do projeto integral Manos a la Cuenca.
A história de Atenco regista que em 2006, as forças federais e estaduais invadiram a localidade com gás lacrimogéneo e violência física, na sequência de um conflito por espaços comerciais em Texcoco. A operação resultou na prisão do líder Ignacio del Valle (inicialmente condenado a 112 anos) e no ecocídio resultante da exploração de minas em mais de 10 municípios.
Atualmente, o FPDT defende que existe uma «janela de oportunidade» com o Governo para que os responsáveis pela operação sejam finalmente detidos.
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