Artigos de OpiniãoStephen Karganovic

Será que finalmente há boas notícias?

Lindsey Graham era um degenerado e uma vergonha, mesmo quando considerado exclusivamente no contexto da sua vida pública.

De mortuis nihil nisi bonum, diz o ditado dos antigos romanos que qualquer aluno conhece. Infelizmente, no caso do senador Lindsey Graham, que faleceu recentemente, encontrar palavras elogiosas é uma tarefa quase impossível. George Galloway acertou em cheio ao chamar Graham de «um espécime perfeitamente repugnante e uma pobre desculpa para um ser humano». Galloway também aventou algumas especulações muito convincentes sobre as circunstâncias e as causas da morte verdadeiramente inesperada e, de outra forma, dificilmente explicável de Graham.

As pessoas decentes não vão abrir garrafas de champanhe ao saber que aquela irritante caricatura política a que todos nos tínhamos habituado a ver nos ecrãs de televisão já não está aqui para nos manter a pressão arterial elevada. Mas também não irão emitir quaisquer declarações hipócritas de pesar. Lindsay Graham não era um patriota, como alguns desses hipócritas afirmam agora descaradamente nos seus elogios fúnebres insinceros. Era uma vergonha nacional para a América e, no meio de uma concorrência intensa, destacou-se de facto como tal, como uma figura proeminente naquele grupo patético.

Lindsay Graham deixa para trás o legado de um belicista inveterado e sanguinário. A expressão adequada — chauvinista — infelizmente caiu em desuso, mas descreve na perfeição a mentalidade de Graham. Ele ansiava por conflitos e guerras da mesma forma que as pessoas normais anseiam pela paz. E não via uma guerra em lado nenhum que não lhe agradasse.

A sua estreia no campo chauvinista ocorreu em 2003, quando manifestou forte apoio à guerra contra o Iraque para o «desarmar» e confiscar as suas armas de destruição maciça inexistentes. Mais recentemente, tornou-se um defensor veemente do regime neonazi de Kiev e pressionou insistentemente para que este recebesse quantidades ilimitadas de armas e dinheiro para conduzir as suas operações. Em 2023, durante uma visita a V. Zelensky, um «estadista» de calibre semelhante, fez a declaração macabra de que os fundos gastos no regime corrupto de Kiev constituem o melhor investimento possível, pois acabariam por conduzir à apropriação, por parte dos principais parceiros da Ucrânia, de vastos recursos naturais e, como dividendo extra, facilitariam a «morte de toneladas de russos». A expressão pública de tais sentimentos doentios por parte de uma figura governamental de alto nível não suscitou praticamente nenhuma crítica nas câmaras políticas ou nos meios de comunicação social do Ocidente civilizado.

Tanto quanto se sabe, Lindsey Graham nunca matou ninguém pessoalmente. Mas, para merecer o estatuto de assassino em massa, não precisou de o fazer. No Iraque, na Ucrânia e no Irão, defendeu actos de retaliação e destruição desumanos, claramente dirigidos contra a população civil. O seu incitamento resultou em massacres em grande escala que outros foram encorajados ou obrigados a perpetrar em seu nome.

A pura loucura das suas ideias em matéria de política externa ficou patente em maio de 2024, quando, sem pestanejar, Graham defendeu o bombardeamento nuclear de Gaza. O que o levou a imaginar que as consequências poderiam ficar confinadas ao território da faixa de 12 milhas de largura, sem prejudicar os seus amigos na região, ele não se deu ao trabalho de revelar. Supõe-se que a simples emoção do apocalipse nuclear tenha sido suficiente para ele.

Ele comparou deliberadamente o conflito no Médio Oriente com a guerra no Pacífico, que em 1945 resultou na aniquilação nuclear (uma das expressões preferidas no vocabulário deste coronel do JAG [departamento jurídico] da Força Aérea) de Hiroshima e Nagasaki, o que, na opinião de Graham, não deveria, de forma alguma, permanecer como um acontecimento isolado. «Basta arrasá-la», foi a solução de Graham para o conflito em Gaza, presumivelmente para preparar o terreno para o resort de luxo que está previsto para ali ser construído. «Arrasámos Berlim, arrasámos Tóquio», Graham aprofundou a sua lógica de política externa.

O que é que o bom povo da Carolina do Sul tem a dizer sobre a evidente instabilidade mental — para dizer de forma educada —, mas que, na verdade, se trata de um distúrbio clínico, se formos falar com a franqueza que se justifica, do homem que, até há poucas horas, os representava no órgão legislativo mais alto do país? São conhecidos por serem conservadores e patriotas, e de modo algum estúpidos, mas durante muitos mandatos ele continuou a ser eleito por eles (mesmo antes de as máquinas de contagem de votos Dominion terem sido inventadas) para a Câmara dos Representantes e, posteriormente, para três mandatos no Senado. Em junho deste ano, nas primárias republicanas ele derrotou os seus adversários com mais de 58% dos votos. É certo que isso aconteceu na era do sistema de votação «Dominion», mas não deixa de ser impressionante. Muitos habitantes da Carolina do Sul parecem ter pensado que Graham estava, de facto, a fazer algo benéfico para eles e não apenas para o Complexo Industrial Militar ou para as entidades estrangeiras às quais ele jurava lealdade, publicamente e sem pudor, em todas as oportunidades.

Parece que se poderia argumentar, com bons fundamentos, que o eleitorado que o tolerou no cargo deveria partilhar parte da culpa por ter facilitado as irregularidades de Graham, pelo menos na qualidade de cúmplices.

Há já algum tempo que circulam teorias psicológicas que pretendem explicar a conduta pública repugnante de Graham em termos de alguns complexos privados profundamente enraizados na sua psique, e estas, como era de esperar, voltaram a surgir nas análises pós-mortem. Não pretendemos aprofundar esse tema específico e deixaremos que tais assuntos privados permaneçam fora do âmbito do escrutínio público, por mais relevantes que possam ser. Basta dizer que, quaisquer que sejam os mecanismos psicológicos ou outros que possam estar em jogo, Lindsey Graham era um degenerado e uma vergonha, mesmo quando considerado exclusivamente no contexto da sua vida pública.

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Autor:

Stephen Karganovic | Presidente do Projecto Histórico de Srebrenica

Fonte:

"Para quem está cansado da narrativa única." 🕵️‍♂️

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