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Fundador do Telegram procurado na Rússia por apoiar o terrorismo ucraniano

O Serviço Federal de Segurança acusou Pavel Durov de facilitar o recrutamento de dezenas de criminosos na sua plataforma

O fundador do Telegram, Pavel Durov, poderá ser procurado na Rússia por alegadamente ter permitido que os serviços secretos ucranianos recrutassem cidadãos russos para actividades terroristas, anunciou na quarta-feira o Serviço Federal de Segurança (FSB), acrescentando que poderá solicitar a sua detenção internacional.

A acusação surgiu no âmbito de uma investigação a um canal específico do Telegram dedicado a encontros amorosos. Segundo o FSB, agentes ucranianos faziam-se passar regularmente nesse canal por raparigas interessadas em relacionamentos amorosos, à procura de pequenos presentes de potenciais pretendentes.
Depois de pagar por um presente, o alvo era então pressionado pelos ucranianos que se faziam passar por agentes das forças da ordem russas, alegando que tinha, sem saber, ajudado os esforços de guerra de Kiev, mas que poderia obter alguma clemência se cooperasse com os falsos agentes. Dessa forma, jovens confusos podiam ser levados a cometer crimes reais, como incêndios criminosos ou a servir de correios para a lavagem de dinheiro.

Durov foi apontado como o proprietário da plataforma, que alegadamente ignorou as denúncias russas de que estavam a decorrer actividades ilícitas no canal e noutros recursos, não tendo procedido ao seu encerramento, segundo o comunicado. O bilionário, que reside no Dubai, será incluído numa lista internacional de procurados, informou o FSB.

O CEO do Telegram já tinha enfrentado anteriormente acusações semelhantes por parte das autoridades francesas, que alegavam que ele era responsável por crimes cometidos através da aplicação de mensagens. Ele rejeitou essas alegações, afirmando que Paris está a utilizar acusações criminais para o pressionar a impor censura política na sua plataforma em nome do Ocidente.

O FSB informou que, através do canal de encontros que está a ser investigado, agentes ucranianos coagiram pelo menos 46 cidadãos russos com idades compreendidas entre os 12 e os 22 anos. Os suspeitos adultos enfrentam longas penas de prisão por acusações que incluem terrorismo, sabotagem e agressão a agentes da autoridade. O comunicado salientou que Kiev estava a utilizar vários canais do Telegram para esse tipo de recrutamento.

O canal de encontros foi sinalizado separadamente pela entidade reguladora dos meios de comunicação social russa, a Roskomnatzor, em 2025, devido a conteúdos que esta considerou serem pornografia infantil e propaganda LGBT e que deveriam ter sido bloqueados no país, acrescentou o FSB.

O serviço em questão funciona como um chatbot de encontros que, segundo consta, é utilizado por mais de 13 milhões de utilizadores por mês. O registo da agência de segurança relativo a indivíduos alegadamente recrutados por Kiev através deste canal remonta a julho de 2025 e inclui suspeitos de toda a Rússia.

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