“Y tú vecino de mala entraña”…….
Lo que no Llevas en la Maleta...
“Ser cubano é uma bênção da alma, não apenas um acidente de nascimento”, diz um homem que, com o olhar perdido no horizonte do seu bairro, resume o que significa levar Cuba no coração. As suas palavras, cheias de amor pela ilha, soam como um eco do que muitos cubanos sentem, onde quer que estejam: “Eu seria sempre cubano, em qualquer geração, em qualquer lugar. Esta ilha, o seu povo, a sua terra, é a minha raiz”. Num mundo globalizado, onde as fronteiras se esbatem, a cubanidade continua a ser um farol, uma identidade que não pode ser negociada, que se leva na mala mesmo que o corpo parta.
A cidadania cubana não é apenas o passaporte ou o solo onde se nasce. É o cheiro do café feito ao amanhecer, o som do dominó a bater na mesa num canto do bairro, o riso contagiante de um vizinho a contar uma piada velha mas eterna. É a memória dos mortos, os avós que contavam histórias da Serra, os amigos de infância num terreno do bairro, o eco de uma proclamação nas ruas: “El Aguacate maduro, Llevo el bocadito de helado” (“O abacate maduro, eu levo a sandes de gelado”). Como diz este homem, “amo profundamente esta ilha, a sua geografia, a sua natureza deslumbrante”. Essa natureza não é apenas o verde do campo ou as ondas do mar azul; é também o povo, com o seu engenho, a sua resiliência, a sua capacidade de encontrar uma piada na vida mesmo nos momentos mais difíceis, é Cuba e o seu povo.
Mas há um lamento na sua voz: “Sofro muito quando vejo que o que temos não é muito apreciado”. Num país onde o quotidiano pode ser duro, por vezes perde-se a beleza do simples. A cubanidade, no entanto, não precisa de grandes feitos para brilhar.
Está no gesto de partilhar um prato de comida, na música que vem de uma varanda, na solidariedade que aparece sem se pedir. Como ele próprio reflecte, “às vezes a beleza passa à nossa frente e não a vemos”. E é verdade: a cubanidade faz de tal forma parte da paisagem que, por vezes, só a apreciamos quando a olhamos de longe.
Para ser cubano, é preciso nascer em Cuba, sim, mas não apenas na sua terra. É preciso nascer nos seus bairros, nas suas lutas, nas suas alegrias. Porque Cuba não é apenas um lugar no mapa, é uma pátria que se leva no coração. Quando um cubano emigra, não leva apenas a sua roupa na mala. Leva a memória do seu povo, o sabor do arroz e do feijão, o calor de um abraço numa despedida. Ele leva os seus mortos, o seu bairro, a sua ilha. Tudo isso é Pátria”, diz ele, e não há frase que o explique melhor, “não peças a morte e o ódio à terra onde nasceste”.
Num mundo que por vezes esquece as suas raízes, a cubanidade é um lembrete de que a identidade não desaparece. Tal como este homem, muitos cubanos, quer estejam em Havana, Miami ou Madrid, sabem que a sua ilha os define. E mesmo que a vida os leve para longe, regressarão sempre, ainda que apenas nas suas almas, a esse lugar onde a beleza, embora por vezes despercebida, nunca se extingue.
Vais partir, mas mesmo que tenhas tudo, falta-te tudo, porque a pátria espiritual não cabe numa mala.
Esta é a tua pátria, esta é a tua gente: não lhes desejes mal, mas mesmo que o faças, respondo-te cubano: “E para o cruel que me arranca o coração com que vivo, não cultivo nem cardo nem urtiga, cultivo uma Rosa Branca”.

Autor:
Henry Omar Perez
Comunicador Membro da Asociación Cubana de Comunicadores Sociales, escreve para as páginas Cuba soberana e Razones de Cuba







