Marchas, slogans e gás lacrimogêneo para um aniversário
A convocatória sob o lema «No Kings» surgiu como resposta à expansão das rusgas e deportações em massa ordenadas pelo presidente Trump.
Nada diz tanto sobre o apoio popular a um presidente como milhões de pessoas a protestar no seu aniversário. No sábado passado, os Estados Unidos foram palco de um dos maiores dias de protesto da sua história recente.
A data coincidiu com o 79.º aniversário de Donald Trump e com o desfile militar pelo 250.º aniversário das Forças Armadas, em Washington D.C., o que acrescentou simbolismo ao dia.
A convocatória, sob o lema No Kings, surgiu como resposta à expansão das rusgas e deportações em massa ordenadas pelo presidente, que instruiu as agências federais a executar «o maior programa de deportações da história».
Estas acções da Casa Branca provocaram uma onda de indignação em amplos sectores da sociedade, preocupados com a supressão dos processos legais e a discriminação racial na aplicação das leis migratórias.
Os protestos ocorreram num clima de alta tensão política, marcado por recentes episódios de violência, entre eles, o assassinato da legisladora estadual de Minnesota, Melissa Hortman, e o ataque armado contra o senador John Hoffman e sua esposa.
Em cidades como Las Vegas, a polícia informou a detenção de 15 pessoas, incluindo quatro menores, por crimes relacionados com armas e agressões durante a marcha.
Enquanto isso, em Nova Iorque, cerca de 50 000 pessoas ocuparam a Quinta Avenida, entoando slogans como «No Ice, No Ku Klux Klan, não aos fascistas!», e agitando bandeiras americanas e palestinas.
Filadélfia, considerada o berço da «democracia» americana, reuniu cerca de 80 000 pessoas, enquanto Los Angeles foi palco de uma das manifestações mais multitudinárias do dia, na qual a polícia utilizou gás lacrimogéneo e granadas de atordoamento para dispersar os participantes.
Assim, em Portland, Oregon, também foram utilizados gases para controlar a multidão em frente a um edifício do ICE, e em Salt Lake City, Utah, uma pessoa perdeu a vida num tiroteio durante as manifestações.
O dia, caracterizado pela magnitude da mobilização e pela diversidade dos participantes, evidencia a rejeição às políticas anti-imigrantes e o medo de uma guinada autoritária na gestão do país.
No entanto, a pressão social obrigou o governo a reconsiderar o alcance das batidas policiais em setores económicos importantes – como a agricultura e os frigoríficos –, que dependem em grande medida da mão de obra migrante.
Autor:
Raúl antonio Capote
Raúl Antonio Capote Fernández (Havana, 1961) é um escritor, historiador, professor, investigador e jornalista cubano. Jornalista, chefe de redacção do Granma Internacional


