A Nicarágua celebrou o Dia da Dignidade Nacional como símbolo de resistência
Sandino marcou o início da sua luta anti-imperialista, enfrentando a presença norte-americana e, ao mesmo tempo, questionando as estruturas internas de poder que perpetuavam as desigualdades.
O copresidente Daniel Ortega, no 99.º aniversário do Dia da Dignidade Nacional, esta segunda-feira, reafirmou a soberania da Nicarágua e denunciou a insegurança nos Estados Unidos, além de exaltar o legado do General Sandino e a resiliência do povo nicaraguense face às ameaças persistentes.
Ortega salientou que Cuba tem enfrentado tentativas de invasão há mais de 60 anos, o que demonstra a força daqueles que «perderam o medo do medo». Denunciou também os constantes ataques e ameaças contra a Nicarágua através das redes sociais e dos meios de comunicação financiados pelo estrangeiro.
Nicaragua conmemora el Día de la Dignidad Nacional en honor a Augusto C. Sandino. El 4 de mayo de 1927, Sandino rechazó el Pacto del Espino Negro, un acuerdo impuesto por Estados Unidos para mantener un gobierno conservador y que implicaba el desarme de fuerzas nacionales.
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O presidente sublinhou que o objectivo é aterrorizar a população, mas recordou que o país já superou «infernos», o mais recente dos quais ocorreu em 2018.
Além disso, Ortega criticou a situação de segurança nos Estados Unidos, onde se encontram alguns opositores nicaraguenses, «que, depois de terem saído da Nicarágua, enfrentam agora ameaças de deportação e alguns dos quais faleceram em circunstâncias incertas em território norte-americano, seja por assassinatos ou acidentes», salientou o presidente.
O copresidente destacou os «altíssimos» índices de criminalidade nos Estados Unidos, que causam a morte de muitos nicaraguenses, latino-americanos e cidadãos desse país, além de questionar as leis sobre armas legalizadas nos Estados Unidos, argumentando que permitem que «até uma criança possa andar com uma espingarda».
O comandante elogiou o legado do General Sandino, que organizou o Exército Defensor da Soberania Nacional para proteger a dignidade da pátria face às tropas norte-americanas.
Ortega salientou que este exército, composto por camponeses e trabalhadores humildes, possuía uma enorme dignidade e um espírito inabalável que lhes permitiu resistir aos combates nas montanhas. Os combatentes de Sandino, afirmou, não fugiam perante os aviões nem os bombardeamentos norte-americanos, mas defendiam-se com determinação.
O copresidente afirmou que o exemplo do General Sandino e do Exército Defensor da Soberania Nacional «ficou para sempre gravado na alma e no coração dos nicaraguenses».

Por fim, Ortega reafirmou que o povo nicaraguense se orgulha da sua dignidade e não teme as ameaças, defendendo-se com base no princípio da paz.
Ele advertiu que, caso a nação seja atacada, tem o dever e o direito de se defender dos agressores e invasores.
Neste 99.º aniversário, o copresidente garantiu que o seu governo continuará a trabalhar no desenvolvimento de obras, aumentando o número de escolas, cursos técnicos e actividades desportivas em todo o país, e reiterou o compromisso inabalável do governo e do povo com a defesa da paz.
Neste contexto, cada 4 de maio marca um ponto de viragem histórico que teve início em 1927, quando o General Augusto C. Sandino se recusou a assinar o Pacto de Espino Negro, um acordo de rendição e desarmamento negociado por José María Moncada com as forças de ocupação norte-americanas.
Este ato opôs-se à intervenção estrangeira que vinha a afetar o país desde 1912.

Esta recusa de Sandino não só desafiou a presença norte-americana, como também lançou as sementes da luta anti-imperialista pela soberania e pela autodeterminação nacional; a sua ação transformou uma data associada à rendição num símbolo da restauração da dignidade nacional, afirmando que a voz do povo era a máxima autoridade do país.
O legado do dia 4 de maio vai além do âmbito militar, consolidando-se como uma referência ética e cívica que valoriza a integração, a inclusão e a justiça social na Nicarágua.
Este evento é reconhecido como um marco fundamental para movimentos posteriores, como a Revolução Popular Sandinista, promovendo a autodeterminação e uma paz digna para as gerações actuais e futuras.
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