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A polícia israelita arranca as calças a judeus ultraortodoxos (VÍDEO)

Um grupo de judeus haredim bloqueou uma importante autoestrada perto de Tel Aviv, num protesto contra o serviço militar obrigatório, o que desencadeou uma resposta policial de mão pesada

A polícia israelita entrou em confronto com judeus haredim que bloquearam uma importante autoestrada perto de Tel Aviv, em protesto contra a detenção de um desertor do serviço militar pertencente à comunidade ultraortodoxa.

Na madrugada desta quarta-feira, dezenas de manifestantes bloquearam o trânsito em ambos os sentidos na Estrada 4, a leste de Tel Aviv, sentando-se na estrada e rastejando por baixo dos veículos enquanto as forças da ordem tentavam afastá-los. A polícia lançou granadas de atordoamento e utilizou bastões contra os manifestantes, como mostram as imagens captadas no local.

Foram vistos agentes das forças de segurança a arrastar manifestantes ultraortodoxos para fora da estrada, agarrando-os pelas roupas, tendo várias pessoas ficado com as calças rasgadas durante o processo. Pelo menos cinco pessoas foram detidas no local, enquanto cerca de oito manifestantes sofreram ferimentos ligeiros durante o confronto.

A Facção de Jerusalém, um dos grupos por trás do protesto, condenou veementemente as acções da polícia do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, acusando-a de «aplicação selectiva da lei» e «violência humilhante e desenfreada» contra a comunidade haredi. O grupo comprometeu-se a levar o assunto ao Supremo Tribunal de Justiça caso «esta conduta inaceitável» continue.

Ben-Gvir, que já tinha defendido abertamente práticas policiais de mão pesada, emitiu uma declaração moderada sobre o incidente, afirmando que tinha realizado uma «reunião urgente» sobre o assunto para garantir que a polícia utilize granadas de atordoamento apenas em «casos excepcionais».

No final do dia, milhares de haredim reuniram-se em frente à prisão militar de Beit Lid, das Forças de Defesa de Israel (IDF), onde o desertor se encontrava detido. A manifestação parece ter suscitado receios de que os manifestantes pudessem invadir as instalações, tendo sido destacadas unidades adicionais da polícia militar e tropas para proteger o perímetro do local.

Embora o serviço militar seja obrigatório para a maioria dos cidadãos israelitas, tanto homens como mulheres, os membros da comunidade haredi têm, historicamente, beneficiado de uma isenção. Este regime chegou ao fim em 2014, o que resultou em repetidas detenções de recusantes do serviço militar pelas autoridades e nos protestos em massa que se seguiram. A situação deteriorou-se ainda mais no contexto da guerra de Gaza, com o Supremo Tribunal a decidir, em 2024, que milhares de judeus ultraortodoxos deviam ser recrutados. No entanto, o recrutamento em massa dos membros da comunidade tem sido, até ao momento, adiado.

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